O chamado "hervalês", falado pelos meninos da Estação do Herval, nos anos 50 e 60, analisado sob a ótica da lingüística histórica, é uma reprodução deturpada de um movimento anárquico-lingüístico internacionalizado, a partir da França, nos anos 30. A origem do movimento foi, na verdade, o Cours de Linguistique Generale (Curso de Lingüística Geral), de autoria do pai na lingüística moderna, o suíço Ferdinand de Saussure. Os seus estudos criaram um anagramático na prosa e poesia greco-latina, que tinham origem na teoria de que, já na antigüidade, a construção dos versos eram feitas em cima de determinados anagramas, baseando-se em metrificações com regras pré-estabelecidas sobre quantidades equivalentes de consoantes e vogais e da disposição das letras formadoras do anagrama nos versos.(STAROBINSK, Jean. As palavras sob as palavras. Ed. Perspectiva).
O irmão de Ferdinand, René de Ferdiand, posteriormente, no início do século XX, criou o IDO, uma versão reformulada e simplificada do Esperanto. O nome "ido" tem origem no sufixo esperantista id, que equivale a "descendente, continuador" e da vogal o, desinência de substantivo, e as letras “I. D. O” são também abreviatura de “Idiomo Di Omni” (Idioma de todos). A língua Ido herdou muito da gramática do Esperanto, e em muitos casos o vocabulário é idêntico, e alguns idistas iniciaram outros projetos lingüísticos, de tendência mais naturalista: as línguas Occidental e Novial.
René de Saussure (nascido em Genebra em 1868 e morto em Berna em 1943) foi um esperantista suíço e um professor de matemática que escreveu obras importantes sobre Esperanto e inter-lingüística. Sua obra mais importante é uma análise da lógica da formação das palavras em Esperanto: Regras fundamentais da teoria da palavra em Esperanto. Tal como o Esperanto, o Ido tem como principal objetivo uma síntese das principais línguas européias existentes, com um vocabulário relativamente reduzido, uma gramática simples e consistente, sendo assim teoricamente fácil de aprender. Usa as vinte e seis letras latinas do alfabeto inglês, sem o uso de acentos. O Ido assemelha-se às línguas românicas e é confundido, à primeira vista, com o italiano ou com o espanhol.
Em se tratando de antigüidade com relação ao tema, vale ressaltar que a mais antiga e importante fonte de um famoso palíndromo bidimensional, também conhecido como fórmula Sator, é uma inscrição latina que foi encontrada nas ruínas de Herculano e Pompéia. Este quadro é considerado um palíndromo perfeito, pois é absolutamente simétrico, podendo ser lido de quatro maneiras: da esquerda para a direita, da direita para a esquerda, de cima para baixo e de baixo para cima.
A onda dos anagramas, palíndromos e anacíclicas, em determinado momento, espalhou-se, e foi absorvendo penduricalhos mundo afora, e como tantas outras curiosidades alusivas à escrita e a fala, ela também chegou ao Brasil, e justamente numa época em que o país consolidava a sua malha ferroviária; entre elas a que ligava o Sudeste ao Sul, através da Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande do Sul.
E qual é o motivo do linguajar dos maleiros e engraxates de Herval d´Oeste entrar nessa história? Bem, entra, a princípio, por três motivos: o primeiro deles é porque Herval d´Oeste, como se sabe, foi por muitos anos uma das referências da Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande do Sul, já que sediava uma das estações estratégicas da ferrovia, e numa região que, por algum tempo, e num passado não muito distante, foi palco de uma guerra: a Guerra do Contestado. Por esse motivo, o Município era, até certo ponto, privilegiado com relação aos demais no tocante as informações e novidades que chegavam dos centos maiores. O segundo motivo é que, a exemplo de outras localidades recortadas pela estrada de ferro, Herval d´Oeste tinha, entre os trabalhadores da ferrovia, imigrantes poloneses e ucranianos, (e que, erroneamente, todos eram chamados de "polacos", e não apenas os poloneses. E o terceiro motivo, que tem ligações com os dois outros anteriores, é que veio morar em Herval d´Oeste, nos anos 40, um jovem, cujo apelido era "corvo", que se tornaria, mais tarde, um dos "autores" do linguajar que ficou, posteriormente, conhecido como "hervalês".
Corvo era oriundo do Rio Grande do Sul, e segundo se sabe, a sua família era agregada de uma família ucraniana, e ele desde a infância ouvia um linguajar estranho, que era uma mistura de esperanto, polaco e português, falado pelos patrões dos seus pais. Observa-se que os poloneses e os ucranianos, em geral, sempre tiveram muitas dificuldades em falar outras línguas, e a que eles mais se adaptavam era o esperanto, língua esta que tentavam usar quando precisavam se fazer melhor entender por outras pessoas, principalmente na época em que o governo brasileiro proibiu o uso das línguas alemãs, italianas, polonesas e ucranianas pelos imigrantes. Ainda no Rio Grande do Sul, e muito criança, Corvo aprendeu algumas palavras da mistura de ucraniano, polonês, esperanto e português, e outras que as crianças de sua idade aprendiam com as brincadeiras originadas nos anagramas; e, ao vir para Herval d´Oeste, juntando-se à garotada de sua idade, começou a estimular a criação de novas palavras, tarefa essa que dividiu com o amigo Tupira (Tupirajara Adail), que ainda mora em Herval. Tupira, aliás, além de ser um dos "mentores" do "hervalês", também foi o criador do que podemos chamar de a primeira escola de samba de Herval d´Oeste: a Bando da Lua, que a princípio era uma charanga para animar partidas de futebol, mas que depois passou a ser, praticamente, uma escola de samba, animando os foliões de Herval d´Oeste e Joaçaba no período do carnaval.
A oficialização da criação do linguajar pelo Corvo e pelo Tupira está documentada em uma Monografia produzida por Alcides Volpato, como trabalho de encerramento do Curso de História da UNOESC-Universidade do Oeste de Santa Catarina, intitulada "O Linguajar dos Maleiros/Engraxates de Herval d´Oeste e Joaçaba". O trabalho, único a conceituar de forma acadêmico o linguajar, é uma importante contribuição acadêmica para a preservação da memória desse fato, haja vista que, até então, havia apenas relatos orais de testemunhos de alguns falantes da época, sem nenhum registro oficial.
Há algum tempo atrás, movidos pela reminiscência, um grupo de falantes do hervalês aventou a possibilidade de se criar um dicionário do linguajar, mas o que resultou foi apenas um glossário de palavras, que à época eram mais faladas e que ainda permanecem na memória dos mais antigos. Entretanto, por absoluta falta de consistência e solidez lingüística, seria, realmente, impossível se produzir um dicionário com um leque de vocabulário capaz de dar sustentação a uma fluência idiomática, a exemplo de alguns dialetos existentes, aqui mesmo no Brasil. Por outro lado, e até por falta dessa base, há muitas divergências entre os próprios falantes do "hervalês" com relação a algumas palavras ou termos, com um grupo defendendo uma forma; e outro se opondo a ela, e isso acaba criando mais dificuldades ainda para a sistematização do linguajar. O trabalho de conclusão de curso de Alcides Volpato, porém, mesmo não tendo uma pesquisa mais aprofundada sobre a origem do linguajar, é um instrumento acadêmico e valioso, e que contribuiu com os registros do processo histórico regional.
"Foi o Corvo que trouxe algumas palavras do Rio Grande do Sul pra cá, e aí a gente começou a inventar outras", relata Tupira. Outro falante do hervalês, Adão Padilha, acrescenta: "a gente ia jogar bola lá no campo do Baréa, e depois ficava um tempão criando e treinando novas palavras". (O Linguajar dos Maleiros/Engraxates de Herval d´Oeste e Joaçaba - Alcides Volpato - UNOESC-SC).
Em um depoimento que me foi dado por Dona Maria dos Prazeres, há muitos anos atrás, e gravado em áudio, há, também, uma "pista", sobre a origem do "hervalês" e a autoria dele creditada ao Corvo. "Eu sabia algumas coisas do Corvo, porque eu conheci a avó dele, que veio do Rio Grande do Sul e morou em Herrval d´Oeste, e depois foi para Campos Novos, lá para a Invernada dos Negros, onde eles tinham parentes. O nome dela era Maria Conceição de Jesus, mas conhecida por Mãe Pretinha, e ela era adepta do Tambor-de-Mina (Candomblé). Lá no Rio Grande do Sul, pelo que sei, eles viviam com uma família de polacos, e parece que foi de lá que o Corvo aprendeu algumas palavras esquisitas, que depois ele ensinava ai para os meninos de rua, e ninguém entendia nada".
O anagrama é uma espécie de jogo de palavras, que resulta de arranjos de letras de uma palavra ou frase para produzir outras palavras, utilizando-se de todas as letras originais exatamente uma vez, e a forma correta de expressá-lo é através de uma equação, com símbolos de igualdade (=, separando o objetivo original e o anagrama resultante. No que é chamado de anagramia, que é um sistema mais avançado e sofisticado, o objetivo é ‘descobrir’ um resultado que tenha um significado lingüístico que defina o objetivo original de forma humorística ou irônica. Tudo isso, porém, não pode ser feito de maneira aleatória, pois há uma fórmula matemática para se estabelecer os anagramas de uma palavra, que é ((a-b/c)+1), sendo que "a" é igual o número do anagrama; "b" o último caractere ou a diferença da divisão de "b" por "c"; e "c" é o número de caracteres.
É evidente que nenhum dos garotos da Estação do Herval, muito menos o Corvo, tinha a mínima noção de que o que estavam fazendo, de brincaderia, era, na verdade, historicamente, uma "evolução" de um processo cultural lingüístico, cuja base era sólida e cientificamente estudada desde a antigüidade. Em função desse desconhecimento, é claro, as derivações por eles criadas não tinham mais as lógicas de palíndromo, de acrônimo ou de anagrama; mas acabaram formando algumas palavras com as quais eles conseguiam se comunicar, mesmo que precariamente, tomando "emprestado" palavras do português, principalmente as preposições, que ligam os elementos da oração; e os verbos. Vale destacar, ainda, que algumas palavras que fazem parte do glossário do "hervalês" podem ser entendidas também por pessoas de outras regiões, que não conhecem Herval d´Oeste e nunca tiveram contato com alguém que tivesse conhecimento do linguajar. A explicação para esse fato é que no nascedouro do linguajar, há palavras que, de fato, são originárias de um tipo de anagrama ou palíndromo, as quais podem ser conhecidas em outras regiões com o mesmo significado.
*João Paulo Dantas (jornalista e escritor; autor dos livros Besta Fera Capitalista (colagem lítero-musical teatral) e Joaçaba, Samba (E Faz Escola), Desde 1930 (a ser lançado em breve).
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
RIO DO PEIXE: FONTE DE PREOCUPAÇÕES
RESUMO.
O objetivo desse artigo, escrito por não especialistas da área, é o de chamar a atenção de todos que são preocupados com a degradação do meio ambiente na região, e para que se possa cobrar, mais sistematicamente, das autoridades competentes, o desenvolvimento de metodologias e ações de Educação Ambiental voltadas à instrumentalização e ao fortalecimento dos aparatos legais colocados à disposição do Comitê da Bacia do Vale do Rio do Peixe. O artigo foi motivado, primeiramente, em função da realização, em Joaçaba, há tempos atrás, do I Fórum de Revitalização do Rio do Peixe, promovido pela Universidade do Oeste de Santa Catarina, e do qual participaram importantes autoridades, entre as quais o Governador do Estado. O Governador, aliás, garantiu, no evento, que um expressivo percentual dos 300 milhões de dólares, levantados a título de empréstimo, junto a um banco japonês, seria destinado ao saneamento básico nos municípios que fazem parte da Bacia do Vale do Rio do Peixe. Há outra duas motivações para a origem do artigo, além da preocupação principal. Uma foi a declaração do professor Dr. Joviles Trevisol de que, através de um Curso de Extensão, a Universidade oportunizaria aos interessados um curso que “dará condições pedagógicas e científicas aos professores da região para atuarem como agentes de sustentabilidade socioambiental nos diferentes espaços profissionais da sociedade”. A outra declaração foi a do professor Adgar Bittencourt, Coordenador do Comitê da Bacia do Rio do Peixe, de que, do Fórum sairiam dois projetos: repovoamento de espécimes de peixes e reflorestamento da mata ciliar. Como a primeira promessa, a do Governador, não se cumpriu, ainda; e a segundo, a realização do Curso de Extensão, está em andamento, há uma luz no fim do túnel, já que, quanto mais gente conscientizada e preparada para a defesa da qualidade ambiental, mais possibilidades existirão para as cobranças de promessas não cumpridas. Aguarda-se, também, que o dito repovoamento e o reflorestamento possam sair do papel, ou melhor, da Carta do Rio do Peixe, já que, até agora, se está acontecendo ou já aconteceu, ninguém viu, ninguém leu. Por outro lado, o artigo visa também chamar a atenção das autoridades, e de forma mais contundente, para o mais grave problema de todos, e que vem acontecendo há muitos anos: a inaceitável e perigosa carga poluente de residuais químicos que está sendo despejada no lençol freático da região e, por extensão, conseqüentemente, atingindo toda a população que se abastece das águas do Rio do Peixe. Esses resíduos, entre os quais o Nitrato, originário do Nitrito, um dos principais componentes das rações animais, são altamente prejudiciais à saúde e a presença deles na água, em alto grau, pode representar sérios riscos, com o aparecimento de uma série de graves doenças, inclusive o câncer. Por fim, o artigo tem a finalidade ainda de estimular, não só os questionamentos, mas a produção de materiais educativos voltados para os interesses e necessidades dos gestores ambientais, e que sirvam para promover e projetar as ações afins que são realizadas com base nas ações promovidas pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio do Peixe.
Palavras-Chave: Rio do Peixe, Bacia Hídrica, Água, Poluição, Produtos Químicos.
Bacia hidrográfica é uma unidade territorial que se destina a implantação da Política Nacional de Recursos Hídricos; e a gestão desses recursos hídricos deve ser descentralizada, contando com a participação do poder público, dos usuários e das comunidades, conforme preconiza (Brasil, 1997; Deluque, 2002). As suas diretrizes gerais baseiam-se na gestão sistemática, com vistas a qualidade e a quantidade, tendo por norte as diversidades físicas, bióticas, demográficas, econômicas, sociais e culturais da região. Como se sabe, o direito de uso dos recursos hídricos é assegurado, por lei, através de outorga, a fim que se obtenha o controle da quantidade e da qualidade do produto destinado a captação e que faz parte de uma parcela existente em um curso de água para consumo, como abastecimento público ou como insumo para processos produtivos. Mas, o sucesso de uma política racional de recursos hídricos depende muito de conhecimentos científicos e tecnológicos, além de capacidade de formar e treinar pessoas, nos mais diferentes níveis, que possam defender os interesses de todos, com base na lei das águas. É evidente, porém, que o senso crítico e observador dos representantes das comunidades mais próximas dos cursos d água, mesmo que não especializados nas ciências afins, é altamente positivo porque ele contribui para que haja discussões em torno do tema, e essas discussões, por sua vez, geram iniciativas que, quase sempre, resultam em ações concretas.
O desorientado crescimento das cidades, há tempo compromete a preservação do meio ambiente, e os primeiros a sofrerem as conseqüências diretas são os chamados rios urbanos, como é o caso do Rio do Peixe. Esse rio, desde a sua nascente, no município de Calmon, até a sua foz, no Rio Uruguai, em Piratuba, recebe uma pesada carga de poluentes, originária de nada menos do que treze cidades. Essa poluição urbana é gravada pelo fato de que o rio banha uma região de altíssima concentração de produção agrícola, baseada, essencialmente, na criação de aves e suínos, cujos dejetos são altamente poluidores, haja vista a elevada concentração de componentes químicos presentes nas rações industrializadas que são a base da alimentação desses animais.
As agressões ambientais, entre as quais as praticadas contra o Rio do Peixe, dentre outros problemas, comprometem a qualidade de vida dos habitantes, e a constatação dessa realidade está nos indicadores sociais e econômicos, observados em trabalhos científicos recentes, entre os quais alguns que mostram as intervenções realizadas na Bacia do Rio do Peixe nos últimos tempos. Esses estudos, mesmo para os leigos, e observados sob à luz de duas áreas de conhecimentos importantes, como a Engenharia Ambiental e da Hidrologia, não deixam dúvidas sobre a urgente necessidade de se ter um olhar atento para o que acontece no dia-a-dia desse importante rio, e mais do que isso: é preciso, não só cobrar atitudes governamentais, como também participar diretamente de gestões integradas que possam contribuir para amenizar ou, até mesmo, eliminar a poluição ambiental que atinge essa Bacia. Independente de ações técnicas mais especializadas, as quais demandam estudos aprofundados, permanentes e consistentes, há que se agir rapidamente, e também de forma permanente, para minimizar, ao máximo possível, os impactos ambientais negativos que atingem a todos, através da gradativa busca de condições originais da bacia, onde for possível, levando-se em consideração os traçados do rio e valorizando, ao máximo, os seus aspectos naturais. É notória a necessidade, urgente, de se evitar a ocupação de faixas marginais; recompor a mata ciliar e preservar a vegetação dos mananciais e das encostas, e faz-se necessário, ainda, cobrar, seriamente, das instâncias governamentais, o uso adequado de recursos financeiros destinados às questões ambientais e o rígido cumprimento da legislação ambiental, através de um elaborado plano de gerenciamento integrado da bacia, destacando a participação efetiva das comunidades envolvidas nesse processo.
Em um passado não muito distante, quando o escritório regional da FATMA-Fundação de Amparo e Tecnologia do Meio Ambiente, sediado em Joaçaba, tinha sob sua direção a engenheira ambiental Elfride Anrain Lindner, foi possível se constatar, claramente, uma ação de governo eficiente na busca da melhoria ambiental regional, notadamente com relação aos aspectos negativos, mais visíveis, que se abatiam sobre o Rio do Peixe, e que tinha, e ainda tem, outras duas agravantes: ora o excesso de precipitação, ora a escassez de precipitação; não havendo, portanto, a regularidade desejada. Aliás, no resumo de sua tese de Doutorado, em 2007, intitulada “ESTUDO DE EVENTOS HIDROLÓGICOS EXTREMOS NA BACIA DO RIO DO PEIXE – SC COM APLICAÇÃO DE ÍNDICE DE UMIDADE DESENVOLVIDO A PARTIR DO TANK MODEL”, do Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Santa Catarina, Elfrid frisa que “A Bacia Rio do Peixe, no Meio-Oeste do Estado de Santa Catarina, sofre de desastres naturais, causados pelo excesso e pela escassez de precipitação”.
Quando foi Diretora Regional da FATMA, em Joaçaba, Elfrid fez com que o órgão tivesse atuação firme no sentido de cumprir, ao máximo possível, o que a legislação previa à época, exigindo do setor produtivo poluidor, localizado às margens do rio, investimentos necessários para que se pudesse reduzir, ao máximo possível, a carga poluidora que, praticamente, estava matando o Rio do Peixe. Essa ação governamental, que não se resumiu apenas a punir com multa os poluidores, o que também não deixou de acontecer, refletiu muito na conscientização das comunidades ribeirinhas, as quais passaram a ter posturas mais criticas com relação às empresas poluidoras e até mesmo com as suas próprias ações. Diante dessa atitude firme do Estado, houve, também, por parte do setor produtivo, notadamente as grandes empresas industriais, localizadas ao longo das margens do rio, desde Caçador até Piratuba, uma conscientização de que era possível reduzir a carga poluidora com investimentos financeiros que, no futuro, seriam revertidos sob forma de ganhos ambientais que teriam reflexos positivos para os negócios das empresas em âmbitos nacionais e internacionais, o que, em conseqüência, redundariam em retornos financeiros que compensariam o que, a principio, lhes pareciam pesados custos.
A atuação de Elfrid Lindner, em duas áreas distintas; uma como ex-Diretora de um órgão governamental, crido para sistematizar, gerenciar e fiscalizar possíveis degradações ambientais; e a outra, como acadêmica, com um trabalho essencialmente técnico, motivado, principalmente, pela preocupação da redução ou excesso de precipitações pluviométricas na região do principal rio do Meio Oeste Catarinense, foi, e continua sendo, de fundamental importância para a compreensão, mais abrangente, da nossa realidade hídrica. Porém, em ambos os casos, a pesquisadora passou ao largo de outro problema, que no nosso entender, é um dos mais sérios e preocupantes: a grande quantidade de produtos químicos, originários da avicultura e suinocultura, que está sendo absorvida pelo lençol freático regional, e sobre o qual daremos ênfase nessa abordagem.
Há uma estimativa de que a quantidade de água que existe no planeta é a mesma desde a Pré-História. Porém, como é fácil constatar, a população do mundo cresce aceleradamente a cada dia, o que, obviamente, aumenta acentuadamente o consumo de água e, além disso, o próprio utilizador desse precioso bem é o responsável pela sua constante degradação, provocando, inclusive, alterações no ciclo hidrológico. A principio, fica claro que a terra tem um potencial hídrico muito além das necessidades da população, em termos gerais, mas a disponibilidade da água, no tempo e no espaço, e o evidente desordenamento da ocupação e fixação do homem no planeta, faz com que haja um sério comprometimento sobre a existência e a qualidade da água a ser captada no futuro, haja vista que já nos dias atuais não é de todo estranho se ouvir falar em “crise da água”.
A concentração populacional em torno das águas é biológica, estratégica e inevitável, e a geografia mostra que há uma população reduzida onde há uma acentuada escassez de recursos hídricos, como os conhecidos desertos, principalmente no Oriente Médio. Onde há abundância de água, e consequentemente terras férteis, flora e fauna, existem concentrações habitacionais expressivas. (Oliveira, 1998). Equivocadamente tida como um bem natural, que está à disposição para atender às necessidades do homem, e que é uma fonte renovável de potencial infinito, a água acaba sendo utilizada também como fonte de despejo de dejetos, sem se falar no alto grau de desperdício (Saito, 2001a). Hoje, segundo um estudo da Agência Nacional das Águas, calcula-se que, em média, 20% da população do mundo, algo em torno de quase um bilhão e meio de habitantes, esteja tendo dificuldade para ter acesso a água, e ainda com o fator agravante de que o saneamento básico não está a disposição para aproximadamente três bilhões de pessoas. (ANA, 2003).
A queda da qualidade e da quantidade da água, pode-se dizer que é uma crise devidamente anunciada, seja aqui no Vale do Rio do Peixe ou nos paises da África, e está baseada em negligentes e absurdas gestões ambientais. À exemplo do que ocorre em outras regiões, no Brasil ou em outros países, no Vale do Rio do Peixe a captação de água, o despejo de efluentes, a ocupação indevida das margens e a derrubada das matas ciliares resultaram em alarmante redução da qualidade e disponibilidade de água. Aliás, no plano mundial, estudos das Nações Unidas indicam que, em breve, mais de dois bilhões de pessoas poderão não ter água em quantidade e qualidade suficientes para a sobrevivência, como observou, em discurso na ONU, o ex-Secretaria Geral Kofi Annan: “Se o desperdício atual continuar, em vinte anos, duas pessoas em cada três sofrerão efeitos da escassez de água”.
Na atualidade, quando se enaltecem os avanços e as conquistas da chamada globalização, o desenvolvimento sustentável pode ser a resposta positiva para a ruptura de uma lógica de modernidade, o que quebra, de certa forma, alguns paradigmas existentes, e faz com que haja a compreensão do crescimento produtivo equilibrado com o meio ambiente, tornando a água um bem não negociável, não sujeito ao comércio e ao lucro, mas sim como fonte natural de benefícios. Nesse sentido a Lei n.º 9.433/97, da Política Nacional de recursos Hídricos, prega que a água é um bem de domínio público, e dispensa de outorga e de cobrança as captações, derivações e emissões consideradas insignificantes. (2005, p. 249).
Os planos de gestões hídricas, estimulados a partir de orientações técnicas e políticas governamentais, porém, devem ser mais esmiuçados, estudados, entendidos, alterados e até rejeitados pelos setores organizados da sociedade. A maioria desses planos foi gerada no bojo de uma estrutura governamental política-ideológica externa, e que tem na premissa da iniciativa privada o objetivo final; logo os meios para chegar a esse intento podem justificar algumas nuances que ocasionam prejuízos incalculáveis do ponto de vista estratégico ecológico. A privatização das águas pode ser uma dessas conseqüências, hoje já realidade em diversos países, inclusive da América do Sul, já que em alguns deles os grandes lençóis se tornaram propriedade privada de grupos estrangeiros, como é o caso do Chile, que “vendeu” suas águas para a britânica Thames Watter.
A privatização das águas no Chile é tão alarmante que até a Igreja está horrorizada, a ponto de propor, em documentos oficiais, que haja uma “visão ético-religiosa da questão do meio ambiente, questionando duramente o modelo econômico que permite a venda de recursos naturais, entre os quais, a água”. O padre brasileiro, Leonardo Boff, fundador da Teologia da Libertação, ficou chocado com o que viu e leu no vizinho país: “Fiquei escandalizado quando li o texto da legislação que regulamenta o uso das águas neste país. Existe um impulso de privatização muito forte", denunciou Boff, numa entrevista coletiva realizada em Santiago do Chile.
O espanto do “padre nosso” sobre a privatização das águas será tema de um outro artigo, já que nesse, o objetivo principal é chamar a atenção para o que se considera muito mais grave ainda: a contaminação de nossas fontes naturais por resíduos de produtos químicos. E a minha preocupação com tema se acentuou a partir do momento em que nas discussões do I Fórum de Revitalização do Rio do Peixe, e na abordagem do Governador sobre investimentos na área ambiental na região, não se tocou na questão dos poluentes mais graves, como é o caso do Nitrato. Estudos conceituados, em todo o mundo, demonstram, claramente, os gravíssimos danos que são causados ao meio ambiente pelos derivados do Nitrato, como o Nitrito, por exemplo. Esse componente químico que está presente nas rações, e indiretamente é utilizado em grande escala por todo o processo produtivo agroindustrial, principalmente na produção de aves e suínos, pode acarretar danos irreversíveis à saúde humana, além de catastróficos reflexos negativos à economia regional, hoje praticamente baseada na avicultura e suinocultura.
O composto concentrado de Nitrito, presente em adubos e rações, é depositado no solo através das fezes de aves e suínos, e as águas das chuvas se encarregam de levá-las para os lagos e rios, e até mesmo para os lençóis freáticos mais preservados e profundos, como é o caso do Acquífero Guarani, que na região tem algumas fendas “desprotegidas”, que podem ser o canal de entrada da temível contaminação. O alto teor de nitrito nas águas pode causar uma doença câncer, o que tem motivado inúmeras discussões, nas áreas médicas, e muitas preocupações nas áreas política e econômica dos governos. Sabe-se que no estômago, nitritos podem ser convertidos em nitrosaminas [(CH3)N-NO], que são substâncias potencialmente cancerígenas, e esses compostos de N-nitroso podem aumentar o risco de câncer de estômago e também para alguns outros tipos de câncer, como do cólon, segundo estudos do World Cancer Research Fund. American Instituto for Cancer Research. (Cured and smoked foods. In: Food, nutrition and the prevention of cancer: a global perspective. Washington: American Institute for Cancer Research; 1997. )
Desde o reconhecimento dessa realidade, ou seja, do poder carcinogênico das nitrosaminas, as indústrias e os governos vêem enfrentando permanentes dilemas, pois de um lado está a preocupação com a saúde pública; e, do outro, a grande temeridade de um desastre ambiental de tal gravidade, que poderá representar o colapso econômico de toda uma região, o que pode não estar muito longe de acontecer em se tratando, principalmente, de Vale do Rio do Peixe. Nessa região, mesmo sem um estudo mais aprofundado e científico (o que, aliás, as universidades regionais já estão nos devendo há tempo), e apenas na observação leiga, mas, mais aguçada, é possível detectar de que temos por aqui, com certeza, na proporção, umas das maiores concentrações de criação e produção de aves e suínos do mundo, o que, evidentemente, por si só, já gera uma preocupações. Vale ressaltar, a título de observação, que na Europa, por exemplo, o controle com relação a área destinada a criação de aves e suínos e o número de animais permitido por hectare é de extrema rigidez, e o motivo não é outro, se não a preocupação com a qualidade ambiental e a saúde, é claro. Observa-se, ainda, e também sob o aspecto leigo, e sem dados científicos oficiais, (e nesse aspecto também pecam gravemente as nossas instituições de ensino superior já que não há um estudo, sequer, a respeito do assunto), de que é grande, para não se dizer até alarmante, o número de casos de câncer que se tem conhecimento, e na sua maioria, localizados no intestino, esôfago e estomago, o que desperta a preocupação e a atenção até mesmo de quem é leigo.
* João Paulo Dantas é jornalista (DRT MT/MT 239 JP), Apresentador e Produtor de Televisão e escritor (Autor dos livros Besta Fera Capitalista, e Joaçaba, Samba. (E Faz Escola), Desde 1930. (A ser lançado em breve);
O objetivo desse artigo, escrito por não especialistas da área, é o de chamar a atenção de todos que são preocupados com a degradação do meio ambiente na região, e para que se possa cobrar, mais sistematicamente, das autoridades competentes, o desenvolvimento de metodologias e ações de Educação Ambiental voltadas à instrumentalização e ao fortalecimento dos aparatos legais colocados à disposição do Comitê da Bacia do Vale do Rio do Peixe. O artigo foi motivado, primeiramente, em função da realização, em Joaçaba, há tempos atrás, do I Fórum de Revitalização do Rio do Peixe, promovido pela Universidade do Oeste de Santa Catarina, e do qual participaram importantes autoridades, entre as quais o Governador do Estado. O Governador, aliás, garantiu, no evento, que um expressivo percentual dos 300 milhões de dólares, levantados a título de empréstimo, junto a um banco japonês, seria destinado ao saneamento básico nos municípios que fazem parte da Bacia do Vale do Rio do Peixe. Há outra duas motivações para a origem do artigo, além da preocupação principal. Uma foi a declaração do professor Dr. Joviles Trevisol de que, através de um Curso de Extensão, a Universidade oportunizaria aos interessados um curso que “dará condições pedagógicas e científicas aos professores da região para atuarem como agentes de sustentabilidade socioambiental nos diferentes espaços profissionais da sociedade”. A outra declaração foi a do professor Adgar Bittencourt, Coordenador do Comitê da Bacia do Rio do Peixe, de que, do Fórum sairiam dois projetos: repovoamento de espécimes de peixes e reflorestamento da mata ciliar. Como a primeira promessa, a do Governador, não se cumpriu, ainda; e a segundo, a realização do Curso de Extensão, está em andamento, há uma luz no fim do túnel, já que, quanto mais gente conscientizada e preparada para a defesa da qualidade ambiental, mais possibilidades existirão para as cobranças de promessas não cumpridas. Aguarda-se, também, que o dito repovoamento e o reflorestamento possam sair do papel, ou melhor, da Carta do Rio do Peixe, já que, até agora, se está acontecendo ou já aconteceu, ninguém viu, ninguém leu. Por outro lado, o artigo visa também chamar a atenção das autoridades, e de forma mais contundente, para o mais grave problema de todos, e que vem acontecendo há muitos anos: a inaceitável e perigosa carga poluente de residuais químicos que está sendo despejada no lençol freático da região e, por extensão, conseqüentemente, atingindo toda a população que se abastece das águas do Rio do Peixe. Esses resíduos, entre os quais o Nitrato, originário do Nitrito, um dos principais componentes das rações animais, são altamente prejudiciais à saúde e a presença deles na água, em alto grau, pode representar sérios riscos, com o aparecimento de uma série de graves doenças, inclusive o câncer. Por fim, o artigo tem a finalidade ainda de estimular, não só os questionamentos, mas a produção de materiais educativos voltados para os interesses e necessidades dos gestores ambientais, e que sirvam para promover e projetar as ações afins que são realizadas com base nas ações promovidas pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio do Peixe.
Palavras-Chave: Rio do Peixe, Bacia Hídrica, Água, Poluição, Produtos Químicos.
Bacia hidrográfica é uma unidade territorial que se destina a implantação da Política Nacional de Recursos Hídricos; e a gestão desses recursos hídricos deve ser descentralizada, contando com a participação do poder público, dos usuários e das comunidades, conforme preconiza (Brasil, 1997; Deluque, 2002). As suas diretrizes gerais baseiam-se na gestão sistemática, com vistas a qualidade e a quantidade, tendo por norte as diversidades físicas, bióticas, demográficas, econômicas, sociais e culturais da região. Como se sabe, o direito de uso dos recursos hídricos é assegurado, por lei, através de outorga, a fim que se obtenha o controle da quantidade e da qualidade do produto destinado a captação e que faz parte de uma parcela existente em um curso de água para consumo, como abastecimento público ou como insumo para processos produtivos. Mas, o sucesso de uma política racional de recursos hídricos depende muito de conhecimentos científicos e tecnológicos, além de capacidade de formar e treinar pessoas, nos mais diferentes níveis, que possam defender os interesses de todos, com base na lei das águas. É evidente, porém, que o senso crítico e observador dos representantes das comunidades mais próximas dos cursos d água, mesmo que não especializados nas ciências afins, é altamente positivo porque ele contribui para que haja discussões em torno do tema, e essas discussões, por sua vez, geram iniciativas que, quase sempre, resultam em ações concretas.
O desorientado crescimento das cidades, há tempo compromete a preservação do meio ambiente, e os primeiros a sofrerem as conseqüências diretas são os chamados rios urbanos, como é o caso do Rio do Peixe. Esse rio, desde a sua nascente, no município de Calmon, até a sua foz, no Rio Uruguai, em Piratuba, recebe uma pesada carga de poluentes, originária de nada menos do que treze cidades. Essa poluição urbana é gravada pelo fato de que o rio banha uma região de altíssima concentração de produção agrícola, baseada, essencialmente, na criação de aves e suínos, cujos dejetos são altamente poluidores, haja vista a elevada concentração de componentes químicos presentes nas rações industrializadas que são a base da alimentação desses animais.
As agressões ambientais, entre as quais as praticadas contra o Rio do Peixe, dentre outros problemas, comprometem a qualidade de vida dos habitantes, e a constatação dessa realidade está nos indicadores sociais e econômicos, observados em trabalhos científicos recentes, entre os quais alguns que mostram as intervenções realizadas na Bacia do Rio do Peixe nos últimos tempos. Esses estudos, mesmo para os leigos, e observados sob à luz de duas áreas de conhecimentos importantes, como a Engenharia Ambiental e da Hidrologia, não deixam dúvidas sobre a urgente necessidade de se ter um olhar atento para o que acontece no dia-a-dia desse importante rio, e mais do que isso: é preciso, não só cobrar atitudes governamentais, como também participar diretamente de gestões integradas que possam contribuir para amenizar ou, até mesmo, eliminar a poluição ambiental que atinge essa Bacia. Independente de ações técnicas mais especializadas, as quais demandam estudos aprofundados, permanentes e consistentes, há que se agir rapidamente, e também de forma permanente, para minimizar, ao máximo possível, os impactos ambientais negativos que atingem a todos, através da gradativa busca de condições originais da bacia, onde for possível, levando-se em consideração os traçados do rio e valorizando, ao máximo, os seus aspectos naturais. É notória a necessidade, urgente, de se evitar a ocupação de faixas marginais; recompor a mata ciliar e preservar a vegetação dos mananciais e das encostas, e faz-se necessário, ainda, cobrar, seriamente, das instâncias governamentais, o uso adequado de recursos financeiros destinados às questões ambientais e o rígido cumprimento da legislação ambiental, através de um elaborado plano de gerenciamento integrado da bacia, destacando a participação efetiva das comunidades envolvidas nesse processo.
Em um passado não muito distante, quando o escritório regional da FATMA-Fundação de Amparo e Tecnologia do Meio Ambiente, sediado em Joaçaba, tinha sob sua direção a engenheira ambiental Elfride Anrain Lindner, foi possível se constatar, claramente, uma ação de governo eficiente na busca da melhoria ambiental regional, notadamente com relação aos aspectos negativos, mais visíveis, que se abatiam sobre o Rio do Peixe, e que tinha, e ainda tem, outras duas agravantes: ora o excesso de precipitação, ora a escassez de precipitação; não havendo, portanto, a regularidade desejada. Aliás, no resumo de sua tese de Doutorado, em 2007, intitulada “ESTUDO DE EVENTOS HIDROLÓGICOS EXTREMOS NA BACIA DO RIO DO PEIXE – SC COM APLICAÇÃO DE ÍNDICE DE UMIDADE DESENVOLVIDO A PARTIR DO TANK MODEL”, do Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Santa Catarina, Elfrid frisa que “A Bacia Rio do Peixe, no Meio-Oeste do Estado de Santa Catarina, sofre de desastres naturais, causados pelo excesso e pela escassez de precipitação”.
Quando foi Diretora Regional da FATMA, em Joaçaba, Elfrid fez com que o órgão tivesse atuação firme no sentido de cumprir, ao máximo possível, o que a legislação previa à época, exigindo do setor produtivo poluidor, localizado às margens do rio, investimentos necessários para que se pudesse reduzir, ao máximo possível, a carga poluidora que, praticamente, estava matando o Rio do Peixe. Essa ação governamental, que não se resumiu apenas a punir com multa os poluidores, o que também não deixou de acontecer, refletiu muito na conscientização das comunidades ribeirinhas, as quais passaram a ter posturas mais criticas com relação às empresas poluidoras e até mesmo com as suas próprias ações. Diante dessa atitude firme do Estado, houve, também, por parte do setor produtivo, notadamente as grandes empresas industriais, localizadas ao longo das margens do rio, desde Caçador até Piratuba, uma conscientização de que era possível reduzir a carga poluidora com investimentos financeiros que, no futuro, seriam revertidos sob forma de ganhos ambientais que teriam reflexos positivos para os negócios das empresas em âmbitos nacionais e internacionais, o que, em conseqüência, redundariam em retornos financeiros que compensariam o que, a principio, lhes pareciam pesados custos.
A atuação de Elfrid Lindner, em duas áreas distintas; uma como ex-Diretora de um órgão governamental, crido para sistematizar, gerenciar e fiscalizar possíveis degradações ambientais; e a outra, como acadêmica, com um trabalho essencialmente técnico, motivado, principalmente, pela preocupação da redução ou excesso de precipitações pluviométricas na região do principal rio do Meio Oeste Catarinense, foi, e continua sendo, de fundamental importância para a compreensão, mais abrangente, da nossa realidade hídrica. Porém, em ambos os casos, a pesquisadora passou ao largo de outro problema, que no nosso entender, é um dos mais sérios e preocupantes: a grande quantidade de produtos químicos, originários da avicultura e suinocultura, que está sendo absorvida pelo lençol freático regional, e sobre o qual daremos ênfase nessa abordagem.
Há uma estimativa de que a quantidade de água que existe no planeta é a mesma desde a Pré-História. Porém, como é fácil constatar, a população do mundo cresce aceleradamente a cada dia, o que, obviamente, aumenta acentuadamente o consumo de água e, além disso, o próprio utilizador desse precioso bem é o responsável pela sua constante degradação, provocando, inclusive, alterações no ciclo hidrológico. A principio, fica claro que a terra tem um potencial hídrico muito além das necessidades da população, em termos gerais, mas a disponibilidade da água, no tempo e no espaço, e o evidente desordenamento da ocupação e fixação do homem no planeta, faz com que haja um sério comprometimento sobre a existência e a qualidade da água a ser captada no futuro, haja vista que já nos dias atuais não é de todo estranho se ouvir falar em “crise da água”.
A concentração populacional em torno das águas é biológica, estratégica e inevitável, e a geografia mostra que há uma população reduzida onde há uma acentuada escassez de recursos hídricos, como os conhecidos desertos, principalmente no Oriente Médio. Onde há abundância de água, e consequentemente terras férteis, flora e fauna, existem concentrações habitacionais expressivas. (Oliveira, 1998). Equivocadamente tida como um bem natural, que está à disposição para atender às necessidades do homem, e que é uma fonte renovável de potencial infinito, a água acaba sendo utilizada também como fonte de despejo de dejetos, sem se falar no alto grau de desperdício (Saito, 2001a). Hoje, segundo um estudo da Agência Nacional das Águas, calcula-se que, em média, 20% da população do mundo, algo em torno de quase um bilhão e meio de habitantes, esteja tendo dificuldade para ter acesso a água, e ainda com o fator agravante de que o saneamento básico não está a disposição para aproximadamente três bilhões de pessoas. (ANA, 2003).
A queda da qualidade e da quantidade da água, pode-se dizer que é uma crise devidamente anunciada, seja aqui no Vale do Rio do Peixe ou nos paises da África, e está baseada em negligentes e absurdas gestões ambientais. À exemplo do que ocorre em outras regiões, no Brasil ou em outros países, no Vale do Rio do Peixe a captação de água, o despejo de efluentes, a ocupação indevida das margens e a derrubada das matas ciliares resultaram em alarmante redução da qualidade e disponibilidade de água. Aliás, no plano mundial, estudos das Nações Unidas indicam que, em breve, mais de dois bilhões de pessoas poderão não ter água em quantidade e qualidade suficientes para a sobrevivência, como observou, em discurso na ONU, o ex-Secretaria Geral Kofi Annan: “Se o desperdício atual continuar, em vinte anos, duas pessoas em cada três sofrerão efeitos da escassez de água”.
Na atualidade, quando se enaltecem os avanços e as conquistas da chamada globalização, o desenvolvimento sustentável pode ser a resposta positiva para a ruptura de uma lógica de modernidade, o que quebra, de certa forma, alguns paradigmas existentes, e faz com que haja a compreensão do crescimento produtivo equilibrado com o meio ambiente, tornando a água um bem não negociável, não sujeito ao comércio e ao lucro, mas sim como fonte natural de benefícios. Nesse sentido a Lei n.º 9.433/97, da Política Nacional de recursos Hídricos, prega que a água é um bem de domínio público, e dispensa de outorga e de cobrança as captações, derivações e emissões consideradas insignificantes. (2005, p. 249).
Os planos de gestões hídricas, estimulados a partir de orientações técnicas e políticas governamentais, porém, devem ser mais esmiuçados, estudados, entendidos, alterados e até rejeitados pelos setores organizados da sociedade. A maioria desses planos foi gerada no bojo de uma estrutura governamental política-ideológica externa, e que tem na premissa da iniciativa privada o objetivo final; logo os meios para chegar a esse intento podem justificar algumas nuances que ocasionam prejuízos incalculáveis do ponto de vista estratégico ecológico. A privatização das águas pode ser uma dessas conseqüências, hoje já realidade em diversos países, inclusive da América do Sul, já que em alguns deles os grandes lençóis se tornaram propriedade privada de grupos estrangeiros, como é o caso do Chile, que “vendeu” suas águas para a britânica Thames Watter.
A privatização das águas no Chile é tão alarmante que até a Igreja está horrorizada, a ponto de propor, em documentos oficiais, que haja uma “visão ético-religiosa da questão do meio ambiente, questionando duramente o modelo econômico que permite a venda de recursos naturais, entre os quais, a água”. O padre brasileiro, Leonardo Boff, fundador da Teologia da Libertação, ficou chocado com o que viu e leu no vizinho país: “Fiquei escandalizado quando li o texto da legislação que regulamenta o uso das águas neste país. Existe um impulso de privatização muito forte", denunciou Boff, numa entrevista coletiva realizada em Santiago do Chile.
O espanto do “padre nosso” sobre a privatização das águas será tema de um outro artigo, já que nesse, o objetivo principal é chamar a atenção para o que se considera muito mais grave ainda: a contaminação de nossas fontes naturais por resíduos de produtos químicos. E a minha preocupação com tema se acentuou a partir do momento em que nas discussões do I Fórum de Revitalização do Rio do Peixe, e na abordagem do Governador sobre investimentos na área ambiental na região, não se tocou na questão dos poluentes mais graves, como é o caso do Nitrato. Estudos conceituados, em todo o mundo, demonstram, claramente, os gravíssimos danos que são causados ao meio ambiente pelos derivados do Nitrato, como o Nitrito, por exemplo. Esse componente químico que está presente nas rações, e indiretamente é utilizado em grande escala por todo o processo produtivo agroindustrial, principalmente na produção de aves e suínos, pode acarretar danos irreversíveis à saúde humana, além de catastróficos reflexos negativos à economia regional, hoje praticamente baseada na avicultura e suinocultura.
O composto concentrado de Nitrito, presente em adubos e rações, é depositado no solo através das fezes de aves e suínos, e as águas das chuvas se encarregam de levá-las para os lagos e rios, e até mesmo para os lençóis freáticos mais preservados e profundos, como é o caso do Acquífero Guarani, que na região tem algumas fendas “desprotegidas”, que podem ser o canal de entrada da temível contaminação. O alto teor de nitrito nas águas pode causar uma doença câncer, o que tem motivado inúmeras discussões, nas áreas médicas, e muitas preocupações nas áreas política e econômica dos governos. Sabe-se que no estômago, nitritos podem ser convertidos em nitrosaminas [(CH3)N-NO], que são substâncias potencialmente cancerígenas, e esses compostos de N-nitroso podem aumentar o risco de câncer de estômago e também para alguns outros tipos de câncer, como do cólon, segundo estudos do World Cancer Research Fund. American Instituto for Cancer Research. (Cured and smoked foods. In: Food, nutrition and the prevention of cancer: a global perspective. Washington: American Institute for Cancer Research; 1997. )
Desde o reconhecimento dessa realidade, ou seja, do poder carcinogênico das nitrosaminas, as indústrias e os governos vêem enfrentando permanentes dilemas, pois de um lado está a preocupação com a saúde pública; e, do outro, a grande temeridade de um desastre ambiental de tal gravidade, que poderá representar o colapso econômico de toda uma região, o que pode não estar muito longe de acontecer em se tratando, principalmente, de Vale do Rio do Peixe. Nessa região, mesmo sem um estudo mais aprofundado e científico (o que, aliás, as universidades regionais já estão nos devendo há tempo), e apenas na observação leiga, mas, mais aguçada, é possível detectar de que temos por aqui, com certeza, na proporção, umas das maiores concentrações de criação e produção de aves e suínos do mundo, o que, evidentemente, por si só, já gera uma preocupações. Vale ressaltar, a título de observação, que na Europa, por exemplo, o controle com relação a área destinada a criação de aves e suínos e o número de animais permitido por hectare é de extrema rigidez, e o motivo não é outro, se não a preocupação com a qualidade ambiental e a saúde, é claro. Observa-se, ainda, e também sob o aspecto leigo, e sem dados científicos oficiais, (e nesse aspecto também pecam gravemente as nossas instituições de ensino superior já que não há um estudo, sequer, a respeito do assunto), de que é grande, para não se dizer até alarmante, o número de casos de câncer que se tem conhecimento, e na sua maioria, localizados no intestino, esôfago e estomago, o que desperta a preocupação e a atenção até mesmo de quem é leigo.
* João Paulo Dantas é jornalista (DRT MT/MT 239 JP), Apresentador e Produtor de Televisão e escritor (Autor dos livros Besta Fera Capitalista, e Joaçaba, Samba. (E Faz Escola), Desde 1930. (A ser lançado em breve);
sexta-feira, 3 de abril de 2009
BOCÓ POR BOCÓ, FICO COM O BOCÓ DE CASA QUE É MELHOR.
Eu acho muito engraçado essa história de “mercado”. “Ele”, do alto de sua sapiência, tem a eloqüência de prever crise. E não falta, jamais, quem logo avise aos jornais. E dá-lhe reprise. A notícia, com toda a malícia, é transformada em manchete, e nos remete a um bocó qualquer de plantão, que de antemão tem interesse maior: aquele do quanto pior; melhor. E os jornalistas, bocós metidos a intelectualistas, e desatentos, saem a propagar a “informação” aos quatro ventos, porque os bocós leitores não sambem que não existem mais do que cinco “agências noticiosas” para de formas maldosas, abastecerem o mundo-trono, e todas de um só dono: o Jacó,um “judeu branco de olhos azuis”, esperto que sabe que o mundo ta cheio de bocó. Jesus !
O último “surto” do “mercado” foi chamado de “marolinha”, e a bem da verdade, com toda propriedade pelo Bocó nosso da terrinha. O bocó caseiro, bem matreiro, e a la mineiro, foi o primeiro a abrir os “olhos azuis” de outros bocós do mundo inteiro. Para dar dinheiro para o nada bocó banqueiro, o patrício-mór, mais que ligeiro, e antes que o bocó do Obama fosse ungido, assaltou do cofre falido bilhões sem fundos, e como diz o Requião, “apenas pintados de verde-imundos) e fez a festa dos “acionistas” de ficção.
Credo em cruz, como são otários esses americanos. Há anos são iludidos por meia dúzia de judeus espertos de “olhos azuis (o que é uma redundância, já que não há um que não tenha essa semelhança; não do azul dos olhos mas da esperteza da ganância). Agora, na hora que a hegemonia do domínio econômico-financeiro judeu sifu...deu-se a quebraria na esteira da eleição de um negro, bocó e de origem não-judia.
A maracutaia financeira sem fim funcionou, duramente a vida inteira, assim: o banco do “patrício” fazia um “sacrifício” de hipoteca que valia uma merreca de cem e a repassava para o “brimo” por cento e cinquenta para ele ganhar também nessa loteca. E nesse vai-e-vem de enganação e afronta, quando retornava a conta, a dívida já era de um milhão, após ter feito a grande viagem por meia dúzia de bancos dos “brimos” parceiros da picaretagem. E aí, começava de novo a malandragem da hipoteca fria, e os bocós das Bolsas dá-lhe comprar ação que não existia. Agora a realidade: os bocós da Nasdaq sofreram ataque do coração quando descobriram que, na verdade, eles nunca tiveram um tostão na maleta, e para se vingarem querem matar o planeta, com a bomba-atômica da crise de proveta. Mais ou menos como os americanos indecentes fizeram com os filhos do sol nascente.Os nihongos atacaram uma base militar (alvo legítimo a se atacar em uma guerra, no mar ou em terra, segundo Genebra). Aí, de quebra, os yankes disseram: aé, tá bom, amarelos, vamos em frente. E foram lá no Nihon e jogaram de uma só vez duas bombas cogumelos, matando uma legião de japonês inocentes. Quase setenta anos após o tormento da atrocidade do ato desumano e barbaresco, nós não lemos uma notícia sequer sobre julgamento de um americano por crime contra a humanidade. É, mano, Nuremberg “no dos outros” é refresco !
Ah, e que não me venham com esse papo de racismo ou anti-semitismo, não. Porque a ladainha desse sermão só tem contribuído para calar mais na cruz o bocó oprimido, deixando encoberto os bônus dos sofridos ônus dos bocós planetários, desde os tempos dos espertos “olhos azuis” dos templários.
O último “surto” do “mercado” foi chamado de “marolinha”, e a bem da verdade, com toda propriedade pelo Bocó nosso da terrinha. O bocó caseiro, bem matreiro, e a la mineiro, foi o primeiro a abrir os “olhos azuis” de outros bocós do mundo inteiro. Para dar dinheiro para o nada bocó banqueiro, o patrício-mór, mais que ligeiro, e antes que o bocó do Obama fosse ungido, assaltou do cofre falido bilhões sem fundos, e como diz o Requião, “apenas pintados de verde-imundos) e fez a festa dos “acionistas” de ficção.
Credo em cruz, como são otários esses americanos. Há anos são iludidos por meia dúzia de judeus espertos de “olhos azuis (o que é uma redundância, já que não há um que não tenha essa semelhança; não do azul dos olhos mas da esperteza da ganância). Agora, na hora que a hegemonia do domínio econômico-financeiro judeu sifu...deu-se a quebraria na esteira da eleição de um negro, bocó e de origem não-judia.
A maracutaia financeira sem fim funcionou, duramente a vida inteira, assim: o banco do “patrício” fazia um “sacrifício” de hipoteca que valia uma merreca de cem e a repassava para o “brimo” por cento e cinquenta para ele ganhar também nessa loteca. E nesse vai-e-vem de enganação e afronta, quando retornava a conta, a dívida já era de um milhão, após ter feito a grande viagem por meia dúzia de bancos dos “brimos” parceiros da picaretagem. E aí, começava de novo a malandragem da hipoteca fria, e os bocós das Bolsas dá-lhe comprar ação que não existia. Agora a realidade: os bocós da Nasdaq sofreram ataque do coração quando descobriram que, na verdade, eles nunca tiveram um tostão na maleta, e para se vingarem querem matar o planeta, com a bomba-atômica da crise de proveta. Mais ou menos como os americanos indecentes fizeram com os filhos do sol nascente.Os nihongos atacaram uma base militar (alvo legítimo a se atacar em uma guerra, no mar ou em terra, segundo Genebra). Aí, de quebra, os yankes disseram: aé, tá bom, amarelos, vamos em frente. E foram lá no Nihon e jogaram de uma só vez duas bombas cogumelos, matando uma legião de japonês inocentes. Quase setenta anos após o tormento da atrocidade do ato desumano e barbaresco, nós não lemos uma notícia sequer sobre julgamento de um americano por crime contra a humanidade. É, mano, Nuremberg “no dos outros” é refresco !
Ah, e que não me venham com esse papo de racismo ou anti-semitismo, não. Porque a ladainha desse sermão só tem contribuído para calar mais na cruz o bocó oprimido, deixando encoberto os bônus dos sofridos ônus dos bocós planetários, desde os tempos dos espertos “olhos azuis” dos templários.
MAIORIDADE PENAL: NO STF O JUIZO FINAL
Como a maioria da população, que vê, na televisão, e lê, bem pouco, no jornal, a discussão sobre a “maioridade penal”, sou também um leigo, meigo, juridicamente falando; o que não quer dizer que sou otário, como se diz no berçário dos marginais, em nome dos quais as nossas “autoridades”, poços de honestidades, estão propondo mudanças para reduzir a idade penal.
Bagagem sobre o tema pra mim não é problema, mesmo com a falta de erudição, e a minha aprendizagem, o que é uma vantagem, vem da vivência, e da experiência da saturação, de tanta imagem, reportagem e malandragem nos meio de comunicação. E a motivação da abordagem foi uma indagação que me foi feita por um jurista, que abordaria, naquele dia, o assunto em um programa de televisão. E a pergunta principal era se sou contra ou a favor da redução da idade penal. Como não era o momento, e não havia tempo a contento para lhe expor meu pensamento, até bem contextualizado, modestamente, fiquei com a pauta em mente, e depois de ter assistido, atentamente, ao programa na tv, não resisti à tentação de, pelo menos, tentar responder, o que não foi respondido, por inquisidor e inquirido. E também por não ter lido, ou ouvido, algum posicionamento consistente, e contundentemente significativo, e que mereça valor, seja contra ou a favor, assinado por um jurista ou pelo órgão representativo. Aliás, digo mais: em se tratando de posição, contrária ou favorável, há na OAB, se a memória não me engana, uma leviana, inexplicável e temerária abundancia de ausência de opinião, o que quer dizer, na verdade, é que existe uma presença constante de omissão.
Os defensores da redução da idade penal, senhores da superficialidade legal, a justifica com argumento, que em qualquer julgamento, a bem da verdade, até o mais leigo dos leigos não encontraria dificuldade para derrubar o intento. Os que defendem a idéia, difundem a panacéia de que essas ações já foram adotadas em quase todas as nações, e que o posicionamento nesse direcionamento evitaria que o menor fosse utilizado pelo crime organizado, e até estudo no Congresso Nacional já existe para ser aprovado. Para alterarem a inimputabilidade, prevista na Constituição, querem, então, criar uma especificidade para uma nova legitimidade, em que o menor possa, sim, ser julgado e enquadrado em um limite menor de idade. Aliás, santa e providencial lembrança constitucional, que tem aval dos nobres, valorosos e atentos Senadores e Deputados, defensores declarados dessas iniciativas. Só que se esquecem de alguns dados, por muitos deles votados em recentes passados: as limitações das cláusulas impeditivas. São aquelas que têm um nome solene, que nem vou arriscar aqui a escrever, porque não vou saber, e aí a gozação hiberna. (ah, lembrei! Cláusulas Pétreas, tipo assim coisa perene, para sempre, eterna). Mas que, em resumo, é supra sumo do Artigo 60, (ah, agora me agüenta), que tem quatro tópicos essenciais: a forma federativa de Estado; o voto direto, secreto, universal e periódico; a separação dos poderes; e os direitos e garantias individuais.
Essas essências legais, jamais admitem, sequer, referências a atos inconstitucionais; logo ou se rasga a Constituição, ou então, cria-se uma nova, e nela desova a ninhada da mudança, e dá-lhe cadeia até mesmo para criança, mas se tendo na mente bem clara uma lembrança: o arrependimento é a arma da vingança.
A discussão, em si, encerra-se aqui, mas é bom lembrar, só pra refrescar, e esquecer a preguiça, que é moda: a ONU já inventou a roda. Pesquisa, antiga, abriga prova que comprova que raríssimas são as nações, cujas Constituições deixam como heranças tais tristes legados para as suas crianças. Os que assim agem, retroagem à idade média; uma tragédia humana dos tempos modernos, só encontrada em infernos na terra, como Índia, Marrocos, Haiti, Estados Unidos e Inglaterra. Sim, os dois mais “civilizados” do mundo também cometem o imundo desrespeito ao direito, não só das crianças; mas de todos que têm desesperanças e desenganos, como os imigrantes; em especial os árabes mulçumanos, (se é que existe algum árabe que não o seja).
Ah, e para complementar, e contextualizar com dados reconhecidos internacionalmente, portanto, competente: a ONU diz textualmente que apenas 11 por cento dos crimes, em todo o mundo, são oriundos da juventude, e que aqui no nosso quintal, essa atitude tem a média de 10 por cento, ou seja, dentro do padrão mundial, e com um detalhe a mais, de que as condições, materiais e sociais, que os americanos e os ingleses dão às suas crianças, não têm as mínimas semelhanças com as da nossa nação, e que no Japão, (que desalento!) onde não falta atenção, material e social, o índice criminal das crianças é de 42 por cento.
Bagagem sobre o tema pra mim não é problema, mesmo com a falta de erudição, e a minha aprendizagem, o que é uma vantagem, vem da vivência, e da experiência da saturação, de tanta imagem, reportagem e malandragem nos meio de comunicação. E a motivação da abordagem foi uma indagação que me foi feita por um jurista, que abordaria, naquele dia, o assunto em um programa de televisão. E a pergunta principal era se sou contra ou a favor da redução da idade penal. Como não era o momento, e não havia tempo a contento para lhe expor meu pensamento, até bem contextualizado, modestamente, fiquei com a pauta em mente, e depois de ter assistido, atentamente, ao programa na tv, não resisti à tentação de, pelo menos, tentar responder, o que não foi respondido, por inquisidor e inquirido. E também por não ter lido, ou ouvido, algum posicionamento consistente, e contundentemente significativo, e que mereça valor, seja contra ou a favor, assinado por um jurista ou pelo órgão representativo. Aliás, digo mais: em se tratando de posição, contrária ou favorável, há na OAB, se a memória não me engana, uma leviana, inexplicável e temerária abundancia de ausência de opinião, o que quer dizer, na verdade, é que existe uma presença constante de omissão.
Os defensores da redução da idade penal, senhores da superficialidade legal, a justifica com argumento, que em qualquer julgamento, a bem da verdade, até o mais leigo dos leigos não encontraria dificuldade para derrubar o intento. Os que defendem a idéia, difundem a panacéia de que essas ações já foram adotadas em quase todas as nações, e que o posicionamento nesse direcionamento evitaria que o menor fosse utilizado pelo crime organizado, e até estudo no Congresso Nacional já existe para ser aprovado. Para alterarem a inimputabilidade, prevista na Constituição, querem, então, criar uma especificidade para uma nova legitimidade, em que o menor possa, sim, ser julgado e enquadrado em um limite menor de idade. Aliás, santa e providencial lembrança constitucional, que tem aval dos nobres, valorosos e atentos Senadores e Deputados, defensores declarados dessas iniciativas. Só que se esquecem de alguns dados, por muitos deles votados em recentes passados: as limitações das cláusulas impeditivas. São aquelas que têm um nome solene, que nem vou arriscar aqui a escrever, porque não vou saber, e aí a gozação hiberna. (ah, lembrei! Cláusulas Pétreas, tipo assim coisa perene, para sempre, eterna). Mas que, em resumo, é supra sumo do Artigo 60, (ah, agora me agüenta), que tem quatro tópicos essenciais: a forma federativa de Estado; o voto direto, secreto, universal e periódico; a separação dos poderes; e os direitos e garantias individuais.
Essas essências legais, jamais admitem, sequer, referências a atos inconstitucionais; logo ou se rasga a Constituição, ou então, cria-se uma nova, e nela desova a ninhada da mudança, e dá-lhe cadeia até mesmo para criança, mas se tendo na mente bem clara uma lembrança: o arrependimento é a arma da vingança.
A discussão, em si, encerra-se aqui, mas é bom lembrar, só pra refrescar, e esquecer a preguiça, que é moda: a ONU já inventou a roda. Pesquisa, antiga, abriga prova que comprova que raríssimas são as nações, cujas Constituições deixam como heranças tais tristes legados para as suas crianças. Os que assim agem, retroagem à idade média; uma tragédia humana dos tempos modernos, só encontrada em infernos na terra, como Índia, Marrocos, Haiti, Estados Unidos e Inglaterra. Sim, os dois mais “civilizados” do mundo também cometem o imundo desrespeito ao direito, não só das crianças; mas de todos que têm desesperanças e desenganos, como os imigrantes; em especial os árabes mulçumanos, (se é que existe algum árabe que não o seja).
Ah, e para complementar, e contextualizar com dados reconhecidos internacionalmente, portanto, competente: a ONU diz textualmente que apenas 11 por cento dos crimes, em todo o mundo, são oriundos da juventude, e que aqui no nosso quintal, essa atitude tem a média de 10 por cento, ou seja, dentro do padrão mundial, e com um detalhe a mais, de que as condições, materiais e sociais, que os americanos e os ingleses dão às suas crianças, não têm as mínimas semelhanças com as da nossa nação, e que no Japão, (que desalento!) onde não falta atenção, material e social, o índice criminal das crianças é de 42 por cento.
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JOAÇABA, TUPI OUR NOT TUPI ?
Em atendimento aos vários questionamentos que por email me foram enviados, motivados pelo dilema Joaçaba, (de que a versão do nome, na verdade, está errada), resolvi dar uma retomada ao tema, mesmo que seja para continuar o problema. E, inicialmente, registro, parcialmente, o que me disse um leitor, num tom meio gozador: “Tá bom, Yury Rom, após mais ded 90 anos, você quer desfazer os enganos? No mês do aniversário da gente, isso é presente de grego, não? E se o nome não é Tupi, é o que, então, diz ai, vivente? “
Pois é, se é presente de grego eu não sei, e nem sei de onde veio essa invenção, mas Tupi, com certeza, não é não, e nem Nheengatu, o chamado Tupi moderno, dialeto fraterno e predileto dos missionários, visionários da evangelização para facilitar-lhes a comunicação.
Para ajudar quem não tem lá muita vontade, ou intimidade com o dicionário e a Internet (a atual grande vedete do atalho da velocidade), vou resumir a Wikipédia, a enciclopédia virtual da facilidade.
O Tupi, apesar de distinto, é um idioma extinto, assim como o latim, e a sua rica gramática, bastante emblemática,foi muito estudada pelo jesuíta tupiniquim, que fez dela entretenimento, já que não tinha muito o que fazer por aqui à época do descobrimento. Além de estudar o Tupi, o jesuíta facilita a comunicação, com formas de expressões mais intimistas, e cria as línguas Nheengatu e a Geral dos Sertões Paulistas.
A língua Tupi, em parte, é uma arte, constituída de raízes, com uma ou duas sílabas matrizes, e assim, portanto, ela encanta, já que CAA é mato, é planta; SOO é animal, (aliás, um capricho, já que em qualquer língua ZOO ou SOO é bicho); Y é água; Sy é (mãe); Aba é (homem); Yby é (Terra,); Oca é (Casa); Ita é (Pedra); Ruba é (Pai) e por aí vai.
O Tupi antigo é um idioma aglutinante, interessante, e não possui artigo (assim como o Latim). A língua não flexiona, em termos gerais, e tem cerca de trinta e um fonemas, doze vogais, dezesseis consoantes e três semi-vogais; e uma de suas características mais marcantes são seus ricos aspectos guturais.
Alguém quer saber mais? Faz assim: não liga pra mim, e vá de uma vez a fonte, um horizonte com mais etiqueta, que é o Dicionário de Tupi-Português, do padre José Anchieta.
Pois é, se é presente de grego eu não sei, e nem sei de onde veio essa invenção, mas Tupi, com certeza, não é não, e nem Nheengatu, o chamado Tupi moderno, dialeto fraterno e predileto dos missionários, visionários da evangelização para facilitar-lhes a comunicação.
Para ajudar quem não tem lá muita vontade, ou intimidade com o dicionário e a Internet (a atual grande vedete do atalho da velocidade), vou resumir a Wikipédia, a enciclopédia virtual da facilidade.
O Tupi, apesar de distinto, é um idioma extinto, assim como o latim, e a sua rica gramática, bastante emblemática,foi muito estudada pelo jesuíta tupiniquim, que fez dela entretenimento, já que não tinha muito o que fazer por aqui à época do descobrimento. Além de estudar o Tupi, o jesuíta facilita a comunicação, com formas de expressões mais intimistas, e cria as línguas Nheengatu e a Geral dos Sertões Paulistas.
A língua Tupi, em parte, é uma arte, constituída de raízes, com uma ou duas sílabas matrizes, e assim, portanto, ela encanta, já que CAA é mato, é planta; SOO é animal, (aliás, um capricho, já que em qualquer língua ZOO ou SOO é bicho); Y é água; Sy é (mãe); Aba é (homem); Yby é (Terra,); Oca é (Casa); Ita é (Pedra); Ruba é (Pai) e por aí vai.
O Tupi antigo é um idioma aglutinante, interessante, e não possui artigo (assim como o Latim). A língua não flexiona, em termos gerais, e tem cerca de trinta e um fonemas, doze vogais, dezesseis consoantes e três semi-vogais; e uma de suas características mais marcantes são seus ricos aspectos guturais.
Alguém quer saber mais? Faz assim: não liga pra mim, e vá de uma vez a fonte, um horizonte com mais etiqueta, que é o Dicionário de Tupi-Português, do padre José Anchieta.
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TRAUMAS DE PACIENTES SÃO OSSOS DO OFÍCIO
A população da região, em geral a pobre, é claro, já está quase na UTI do atendimento médico-hospitalar, o que é muito grave. E o entrave, ao que parece, é mal generalizado e já quase sem cura, e disseminado em várias especialidades existentes, a julgar pelas reclamações dos, de fato, pacientes.
O termômetro que mede a temperatura, acumula queda brusca e ofusca a cura do mal, que estaria mais na ineficiência do quadro profissional do que, propriamente, na estrutura operacional, o que já configura uma emergência. E a bula confidencia sintomas automáticos: o calo maior está na ortopedia, área em que não são raros os casos sempre traumáticos. A maioria dos atendimentos é emergencial, feita sob grande pressão emocional e, muitas vezes, trata-se de acidentados, o que deixa vítimas, enfermeiras e os médicos, atordoados. Nessa condição, então, qualquer desatenção pela equipe de plantão, pode ser, erroneamente, vista como um atendimento não eficiente, e desagradar familiares e paciente.
A outra grande agonia é a Pediatria, onde há sérios dilemas, com situações extremas de gravidade, aumentando a diversidade de problemas enfrentados no dia-a-dia, por médicos e enfermeiras, o que os deixam à beira de um precipício, e o cumprimento do ofício torna-se um martírio, uma espécie de delírio coletivo que destrói o senso afetivo, tornando-os insensíveis diante da dor alheia, o que semeia insatisfações visíveis nessas situações.
Essas observações têm por base as constantes reclamações dos reféns do sistema público de saúde, que a cada dia mais desilude os pacientes, com ações incoerentes e desagradáveis, detestáveis e negligentes, já que o alto grau de insatisfação da clientela revela que o mal tem profundas raízes, matizes de uma histórica negligência, aliada a uma retórica incompetência generalizada.
A melhor medicação para a solução dessa realidade, como prevenção e necessidade, é o divã de um analista de qualidade, especialista em relações humanas, porque as ações desumanas grassam pelos corredores dos hospitais, com médicos e enfermeiros mais parecendo abatedores em plena atividade.
O termômetro que mede a temperatura, acumula queda brusca e ofusca a cura do mal, que estaria mais na ineficiência do quadro profissional do que, propriamente, na estrutura operacional, o que já configura uma emergência. E a bula confidencia sintomas automáticos: o calo maior está na ortopedia, área em que não são raros os casos sempre traumáticos. A maioria dos atendimentos é emergencial, feita sob grande pressão emocional e, muitas vezes, trata-se de acidentados, o que deixa vítimas, enfermeiras e os médicos, atordoados. Nessa condição, então, qualquer desatenção pela equipe de plantão, pode ser, erroneamente, vista como um atendimento não eficiente, e desagradar familiares e paciente.
A outra grande agonia é a Pediatria, onde há sérios dilemas, com situações extremas de gravidade, aumentando a diversidade de problemas enfrentados no dia-a-dia, por médicos e enfermeiras, o que os deixam à beira de um precipício, e o cumprimento do ofício torna-se um martírio, uma espécie de delírio coletivo que destrói o senso afetivo, tornando-os insensíveis diante da dor alheia, o que semeia insatisfações visíveis nessas situações.
Essas observações têm por base as constantes reclamações dos reféns do sistema público de saúde, que a cada dia mais desilude os pacientes, com ações incoerentes e desagradáveis, detestáveis e negligentes, já que o alto grau de insatisfação da clientela revela que o mal tem profundas raízes, matizes de uma histórica negligência, aliada a uma retórica incompetência generalizada.
A melhor medicação para a solução dessa realidade, como prevenção e necessidade, é o divã de um analista de qualidade, especialista em relações humanas, porque as ações desumanas grassam pelos corredores dos hospitais, com médicos e enfermeiros mais parecendo abatedores em plena atividade.
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Linguismo (antes da nova ortografia....)
Anglicismos, galicismos ou quaisquer "ismos" (até radicalismos, e outros abismos) não afligem a minha refeição de letrinha, por causa da origem da minha educação, que de berço já me deu uma mão. Então, sem qualquer espanto, me encanto com o mouse todo dia, pra dar bonjour, com alegria; e na hora de restartar, ligo o abajur da fantasia, e deleto da memória o que for off na história.
Nada contra, portando, aos tantos “ismos” abrasileirados, e que estão por aí espalhados, e os que também, tão bem, foram adaptados, ou mantiveram a sua originalidade, com ou sem tradução dos lingüistas de plantão. Pra mim tanto faz, ainda mais que, em qualquer que seja a singularidade, tenho uma tremenda dificuldade para escrevê-los corretamente, embora que, ultimamente, os meus acertos tenham sido mais freqüentes. Os coquetéis, há muito estão resolvidos, em que pese existirem os fiéis que preferem escrever Cocktails. Mas, aí já é demais, se bem que é até preferível encará-lo, do que optar pelo preto básico só pra tomar rabo de galo. É dose, assim também não. Logo, que fiquem com o galicismo da expressão.
Na linguagem livre há que se ter um certo tempero, embora, às vezes, contemplo algum exagero, como delivery, por exemplo. Para as pessoas que usam tal expressão tenho, de ante-mão, um diagnóstico: eles acreditam que “entrega em domicílio” é pernóstico. Então, não se trata de anglicismo ou galicismo, mas de puro modismo do falar, já que seria muito mais agradável apenas “entregar as compras em seu lar”.
Quer outra fluente expressão que incomoda, mas que entrou, literalmente, na onda da moda? Sale para a surrada promoção. Assim a loja não inova; enoja, e por certo não desova o produto da liquidação. Imagine e filosofe: as vitrines cobertas com papel de embrulho, e lá dentro um monte de bagulho com preços em off. É um horror, o maior terror na visão do cão; e todos, claro, preferem o velho e tradicional balcão. Não é por nada, não, mas a gente pensa que o tal do off é o mesmo dos aparelhos de gravação, e que a loja, na verdade, está desligada. Estabelecimento fechado não vende, e o lojista que não entende que as tais expressões toscas estão deixando sua loja às moscas, reclama da freguesia e diz que a economia vai mal. Bem feito, porque desse jeito ele não ganha o freguês, a não ser que volte a escrever o bom e velho português, e dê um stop no inglês.
Nada contra, portando, aos tantos “ismos” abrasileirados, e que estão por aí espalhados, e os que também, tão bem, foram adaptados, ou mantiveram a sua originalidade, com ou sem tradução dos lingüistas de plantão. Pra mim tanto faz, ainda mais que, em qualquer que seja a singularidade, tenho uma tremenda dificuldade para escrevê-los corretamente, embora que, ultimamente, os meus acertos tenham sido mais freqüentes. Os coquetéis, há muito estão resolvidos, em que pese existirem os fiéis que preferem escrever Cocktails. Mas, aí já é demais, se bem que é até preferível encará-lo, do que optar pelo preto básico só pra tomar rabo de galo. É dose, assim também não. Logo, que fiquem com o galicismo da expressão.
Na linguagem livre há que se ter um certo tempero, embora, às vezes, contemplo algum exagero, como delivery, por exemplo. Para as pessoas que usam tal expressão tenho, de ante-mão, um diagnóstico: eles acreditam que “entrega em domicílio” é pernóstico. Então, não se trata de anglicismo ou galicismo, mas de puro modismo do falar, já que seria muito mais agradável apenas “entregar as compras em seu lar”.
Quer outra fluente expressão que incomoda, mas que entrou, literalmente, na onda da moda? Sale para a surrada promoção. Assim a loja não inova; enoja, e por certo não desova o produto da liquidação. Imagine e filosofe: as vitrines cobertas com papel de embrulho, e lá dentro um monte de bagulho com preços em off. É um horror, o maior terror na visão do cão; e todos, claro, preferem o velho e tradicional balcão. Não é por nada, não, mas a gente pensa que o tal do off é o mesmo dos aparelhos de gravação, e que a loja, na verdade, está desligada. Estabelecimento fechado não vende, e o lojista que não entende que as tais expressões toscas estão deixando sua loja às moscas, reclama da freguesia e diz que a economia vai mal. Bem feito, porque desse jeito ele não ganha o freguês, a não ser que volte a escrever o bom e velho português, e dê um stop no inglês.
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