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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

BAIXOU A DESORDEM NO TERREIRO DA ORDEM DOS CARTÉIS. ACORDEM, BACHARÉIS !

Artigo
João Paulo Dantas


O país, matriz dos cartéis, tem três vezes mais bacharéis de direito, com “defeito” para exercerem a função, do que advogados exercendo a profissão, dado ao alto índice de reprovação do chamado “exame da ordem”, que é, na verdade, uma desordem total, e um belo de um imbróglio inconstitucional, mas, agora, legal, segundo o Supremo Tribunal.

Não bastasse tal sandice ilegal, a OAB, numa campanha nacional, tem conseguido, inclusive, e de formas inexplicáveis, a esquisitice de impedir o credenciamento de novos cursos, com recursos escusos, de abusos inaceitáveis. Caso aceitemos a OAB fazer a fiscalização da educação, a exceção estará configurada, e aí o estouro da boiada vai ser uma carnificina; o CRM vai querer “fiscalizar” a medicina, e com respaldo, e o saldo da inconseqüência vai ser a total ruína da coerência, e a completa e brutal chacina da livre concorrência.

A OAB está se achando juiz e julgando que tudo o que ela diz é correto, e tem até um projeto de ”Ranking” para Brasil, que é um decreto de que cada bacharel é um imbecil. A entidade, que baixa sem terreiro, se acha celeiro do saber absoluto e dona da razão, ao dizer, com sermão, se o cristão formado tem ou não atributo para exercer a profissão. O quesito salvo-conduto, um esquisito e astuto esquema, algema o candidato a advogado, e o coitado vira refém do amém de um regimento, onde o sofrimento é a tábua da salvação, já que para a ordem, a busca da qualidade está acima da legalidade, mas, na verdade, o estatuto do saber pouco importa, basta apenas que o candidato, de fato, reconheça que a Ordem é o cabrito cuidando da horta.

Nua e crua, a realidade tem o seu bem elaborado legado clientelista, uma vez que além da sua duvidosa constitucionalidade, a obrigatoriedade do exame é, na verdade, o vexame de um descarado domínio calculista de mercado, para o advogado devidamente credenciado, já que as elitistas Escolas de Advogacia, primazia da entidade dos juristas, não entram nas listas das penalidades, por obra e graça, certamente, da manobra eficiente das “sumidades” fisiologistas.

República das Aranhas

Mini-Teatro
Autor: João Paulo Dantas


(Antes de começar, conversas “off”)
Jornalista 1
(É, acho que vai ser tipo assim, uma coletiva de imprensa)
Jornalista 2
Mas, me disseram que será algo assim a la Machado de Assis.
(Entra o Assessor de Imprensa)
Assessor de Imprensa
Atenção, atenção, senhoras e senhores !
Como assessor de imprensa, eis que me fora dada, pelas canônicas araquinídeas, o dever de dar conhecimento a todos sobre a mais importante pesquisa cientifica dos últimos séculos, através dessa entrevista coletiva.

Jornalistas
Óhhhhhhhhhhhhh

Assessor de Imprensa
O nosso cônego AraKem, aqui, em carne e osso, acaba de construir para a nossa Sereníssima República o melhor sistema eleitoral dos séculos dos séculos dos séculos.

Jornalista 2
É Eco ?

Jornalista 3
Não, não. E nem gagueira. É reforço de semântica.

Assessor de Imprensa
Com as senhoras e com os senhores, cônego Arakem.

Arakem

Senhores jornalista! Apesar da Globo preferir noticiar a descoberta da linguagem fônica dos insetos, feita por um inglês; eu vos digo: eu aprendi o Aracnide, o idioma das aranhas. Mas, isso não é o objeto da minha entrevista, e nem tão pouco tenho a pretensão de ressalvar os direitos da ciência nacional, pois a minha obra é muito maior do que a possível descoberta inglesa.
Repórter 1
Dr. AraKem, a pesquisa do inglês está consolidada....

Repórter 2
É, Dr. Até a Veja já publicou.

AraKem
Fônica dos insetos é moleza. Idioma das aranhas, não é tão fácil aprender, mas é possível. Agora, eu pergunto, aos senhores jornalistas. E organizar um sistema pros bichinhos, heim? Pensa que é moleza? Pois então, foi isso que eu fiz, além de “aracnizar” com elas.

Repórter 4
O senhor quer nos dizer que, além de falar a língua das aranhas, o senhor organizou uma forma de governo aracnídeo ?

Arakem
Isso, meu rapaz. Isso mesmo, e com um sistema eleitoral. E precisava de algo diferente, já que muitos dos existentes pareciam-me bons, alguns excelentes, mas todos tinham contra si o existirem. Mas, optei pela forma a La Veneza, aquele dos sacos e bolas. Alguém já ouviu falar?

Jornalistas (todos)
Nãoooooooooooooo !

AraKem
Era o que eu imaginava. Bom, segundo Machado de Assis, “ele exclui os desvarios da paixão, os desazos da inépcia, o congresso da corrupção e da cobiça”... Mas não foi só por isso que o aceitei; tratando-se de um povo tão exímio na fiação de suas teias, o uso do saco eleitoral era de fácil adaptação, quase uma planta indígena.

Jornalista 4
E esse novo sistema tem nome?

AraKem
Sim, sim, tem. Sereníssima República.
Jornalistas (todos, repetem)
Sereníssima República!

AraKem
Não é nada fácil, é preciso uma paciência de Penélope. (essa vocês não conhecem, também, né?). Também já imaginava...

Jornalista, (todos)
(balançam a cabeça, negativamente)

AraKem
Pois bem. Desde que compreendeu que no ato eleitoral estava a base da vida pública, a jovem República aracnídia tratou de exercê-lo com a maior atenção. E o fabrico do saco foi uma ação nacional. Uma obra-prima; um processo eleitoral simples.

Jornalista 6
E o sistema funciona?

AraKem
A eleição fez-se a princípio com muita regularidade; mas, logo depois, um dos legisladores declarou que ela fora viciada, por terem entrado no saco duas bolas com o nome do mesmo candidato. Muda-se o formato do saco.

Jornalista 2
Qualquer semelhança com os votinhos nossos de antigamente, é mera coincidência...

AraKem
Aconteceu, porém, que na eleição seguinte, um candidato deixou de ser inscrito na competente bola, não se sabe se por descuido ou intenção do oficial público. Altera-se o formato do saco.

Jornalista
Que saco, heim !

AraKem
Não é nem preciso dizer que houve reclamações. Do partido retilíneo e do partido curvilíneo. Ah, explicando essas denominações: Como elas (as aranhas) são, principalmente, geômetras, é a geometria que as divide em política.
Umas entendem que a aranha deve fazer as teias com fios retos: é o partido retilíneo; outras pensam, ao contrário, que as teias devem ser trabalhadas com fios curvos: é o partido curvilíneo. Há, ainda, um terceiro partido, misto e central, com este postulado: as teias devem ser urdidas de fios retos e fios curvos: é o partido reto-curvilíneo; e finalmente, uma quarta divisão política, o partido anti-reto-curvilíneo, que propõe o uso de teias urdidas de ar, obra transparente e leve, em que não há linhas de espécie alguma.

Jornalista 3
Valei-me, senhor. Deus é mais !

AraKem
Para uns, a linha reta exprime os bons sentimentos, a justiça, e a probidade; ao passo que os sentimentos ruins ou inferiores, como a bajulação, a fraude, a deslealdade, e a perfídia, são perfeitamente curvos. Os adversários respondem que não; que a linha curva é a da virtude e do saber, porque é a expressão da modéstia e da humildade; ao contrário, e a ignorância, são retas, duramente retas.
O terceiro partido, menos anguloso, menos exclusivista, desbastou a exageração de uns e outros, combinou os contrastes, e proclamou a simultaneidade das linhas como a exata cópia do mundo físico e moral. O quarto limita-se a negar tudo.


Jornalista 4 (fazendo um comentário...)
Vai do DEM ao PSD, passando pelo PC do B...

Jornalista 5
Ou de Licurgo, na Esparta a Solón, em Atenas, passando por Sérvio Túlio, em Roma...

Jornalista 2
Nem Majoritária, nem Proporcional. É a caótica eleitoral.

AraKem
Aumenta saco, diminui saco. E haja saco pra tantas bolas. Mas, abusos, descuidos e lacunas tendem a desaparecer, e o restante terá igual destino, não inteiramente, pois a perfeição não é deste mundo. Pelo menos na medida e nos termos do conselho de um dos grandes sábios da minha república, Erasmus, (conhecem ?).

Jornalistas (todos)
Nãoooooooooooooo !

AraKem
Também já imaginava. Pena que, pelo curto espaço de tempo, sinto não poder proferir-vos integralmente, o seu último discurso, e somente resumi-lo: Encarregado de notificar a última resolução legislativa da Sereníssima República às dez damas incumbidas de urdir o saco eleitoral, Erasmus contou-lhes a fábula de Penélope, que fazia e desfazia a famosa teia, à espera do esposo Ulisses:

— Vós sois, disse Erasmus, a Penélope da nossa República; tendes a mesma castidade, paciência e talento. Refazei o saco, amigas minhas, refazei o saco, até que Ulisses, cansado de dar às penas, venha tomar entre nós o lugar que lhe cabe: a Sapiência.

Boa noite, e obrigado a todos!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

A BESTA-FERA TOTALITÁRIA !

Mini-Teatro
Autor: João Paulo

Quadro 1: Preparando a Cena
Descrição cênica do quadro: Personagens entram na sala de aula, e vão falando o texto enquanto arrumam as carteiras, em semi-circulo. Dentro do semi-círculo, uma cadeira, mais à frente, e outras três, mais atrás. Nas cadeiras do semi-circulo vão estar sete cadeiras (quatro ficarão vazias). Nas quatro cadeiras da frente estarão: réu, promotor, juiz e advogado de defesa. Os “jurados” usam figurino normal; juiz, promotor ou advogado, usam togas. O tempo de “construção” do cenário, deve ter o mesmo tempo dos diálogos, para os dois terminarem simultaneamente.
Diálogos do Quadro:
Personagem 1
E ai, pessoal !
Então, vamos de Teatro do Oprimido, mesmo?

Personagem 2
Não, Teatro do Oprimido, não. É dos “espremidos”. O “profe”, com esse trabalho, espremeu nossas cérebros. Aff !

Personagem 3 (rindo)
Tem “QI” esparramado pra tudo que é canto até agora...

Personagem 4
Tá, tai um “gancho” pra gente, pelo menos, tentar começar essa joça. Digaê, você que espremeu o teatro. Que raio é esse de teatro do oprimido?
Personagem 1 (rindo)
Eita, agora o melhor mesmo seria dizer como o Ratinho “borá pra frente; pula essa parte”. Mas, dado o meu alto grau zero de conhecimento dos mistérios da dramaturgia, vou tentar resumir essa bagaça. Porém, pra tanto, preciso do auxílio do QI que sobrou do esparramo geral. Com a palavra minha colega aqui, que tem mais neurônios pra decorar texto:

Colega
Sobrou pra loira! Tá, em resumo, essa história de Teatro do Oprimido, sobre o qual o colega não falou, segundo Augusto Boal, o pai da matéria, quer dizer, mais ou menos, o seguinte: “aquele que transforma as palavras em versos, transforma-se em poeta; aquele que transforma o barro em estátua, transforma-se em escultor; e ao transformar as relações sociais e humanas apresentadas em uma cena de teatro, transforma-se em cidadão”
Personagem 6
Porra, meu ! (todos riem, pelo menos né)

Personagem 2
Isso é o que eu gostaria de ser..

Todos (espantados)
Ahhhhhhhhhhhhhh!

Personagem 2
Calma, gente. Acho que vocês entenderam mal. Eu to dizendo que gostaria de ser esse personagem “seis”, que até agora só disse: Porra, meu !

Personagem 3 (rindo)
Ah, bom. Pensei que gostarias de ser o produto, em si.

Personagem 4
Bom, mas voltando às vacas magras. Ou melhor: recompondo a cena. Vamos usar, então, a técnica do Teatro do Oprimido, é isso?

Personagem 5
Olha, gente, é bastante complexa essa história de teatro do oprimido, mas dado ao tema proposto (Estado Totalitário), vamos ter que vender esse peixe pescando nesse poço profundo...

Personagem 2
Ave Maria !

Personagem 3
O que foi, “dois” ?

Personagem 2
Tá explicado agora porque o “cinco” não tinha falado ainda... Pensei que era esquecimento do autor. Mas, não. É que, dizem, que os mais inteligentes escutam mais, e falam menos.

Personagem 5
Ok, menos, Batista! Mas, só pra contextualizar, e pra não ficar conversa de doido com maluco em dia de festa das bruxas em manicômio.

Personagem 1
Aí, é a treva !

Personagem 5
Teatro do Oprimido é um método teatral que reúne Exercícios, Jogos e Técnicas Teatrais elaboradas pelo teatrólogo brasileiro Augusto Boal.

Personagem 2
Aí, é o Google !

Personagem 3
É Wikipédia, pura !

Personagem 4
Deixem o “cinco” exercitar sua sapiência, gente !

Personagem 5
Esse tal de Boal, figurinha carimbada dos anos sessenta e setenta, fazia teatro pras Ligas Camponesas, na época da Ditadura.

Colega
Ah, eu li sobre isso. Dizem que após um espetáculo, um camponês convidou o grupo dele para uma ação contra uns jagunços de uns fazendeiros, e eles pipocaram.

Personagem 5
Pois é. Ai, o Boal, que sacava rápido as coisas, pensou: estamos incentivando os sem terra a lutarem, e não lutamos. Então, algo precisa ser feito...E aí nasceu o teatro do Diálogo, e não o teatro do Monólogo.

Personagem 6 (rindo)
Então, o “profe” que nos aguarde...!

Corta (Desce Luz na Preparação da Cena; Sobe Luz no Tribunal )

Quadro 2 – Tribunal do Juri
Descrição Cênica do Quadro: Uma formação de “plenário”, como se fosse um Tribunal de Juri. Cadeiras para Juiz, Advogado, Promotor, Réu e Jurados (três, apenas).

Juiz:
Em conformidade com a Lei, damos por aberta essa Sessão do Tribunal do Juri. Que adentre o Réu; a Besta-Fera Totalitária...

Besta-Fera Totalitária:
Sou inocente, Excelência !

Juiz:
Cale-se ! Que adentrem o Promotor, o Advogado de Defesa e o Corpo de Jurados.
(Entram o Promotor, o Advogado e os Jurados. Só que, ao invés de sete, entram só três: o Cego, o Surdo e o Mudo)

Juiz:
Em julgamento, nessa sessão, a Besta-Fera Totalitária, pelos crimes que seguem: Poderes concentrados, não permitindo a prática da democracia; Restrição das garantias aos direitos individuais; Sistema judiciário e legislativo, às margens do poder; Uso da força militar como forma de repressão; Proibição de eleições; Censura e Controle dos meios de comunicação; e Propaganda de exaltação da Besta-Fera Totalitária.

Promotor:
Excelência, já há provas suficientes nos autos, e na história, para condenarmos, de antemão, a Besta-Fera Totalitária, sem maiores delongas.

Advogado:
Desculpem-nos, senhores. Há um equívoco aqui da Promotoria. Excelência, com vossa permissão, eu gostaria de discorrer, brevemente, sobre os benefícios de um governo dito totalitário; expressão essa com a qual, diga-se de passagem, não concordo.

Juiz:
Dr, por “questão de ordem”, e mesmo diante da clarividência do que aqui se vê, desses que se dizem, oficialmente, Conselho de Sentença, gostaria de, pelos menos, qualificá-los perante esse Tribunal, mesmo isso não sendo uma praxe forense.

Advogado:
Pois não, Excelência!

Surdo: (tampão nos ouvidos)
Apesar de ouvir muito bem, sou surdo por conveniência. Não ouço o clamor dos oprimidos e os pedidos de justiça dos injustiçados e explorados. E esse tampão, em muito me auxilia....

Cego: (Venda nos olhos)
Tenho dois olhos, que brilham e não são defeituosos. Uso, entretanto, esta venda para nada ver e nada testemunhar com o brilho dos meus olhos omissos....

Mudo (Tirando a mordaça)
Vejam ! Tenho boca, sim. Prefiro, no entanto, usar, deliberadamente, esta mordaça. Com ela não preciso denunciar injustiças, nem apontar soluções...

Juiz:
É, pelo que vejo, porém, de nada adiantaria chamarmos mais quatro jurados; se forem a exemplos desses que ai estão. Logo, proponho que todos os senhores, e o senhor, especialmente (indicando para a “platéia”, e de forma mais incisiva para o Professor), sejam o nosso verdadeiro Conselho de Sentença.

Advogado:
A Besta, digo, o meu cliente, senhoras e senhores, é totalmente inocente dessas acusações; senão, vejamos: Concentrar poder é assegurar benefícios para o povo, evitando-se ordens divergentes; Democracia só é bonita no papel, porque na hora do voto, é um Deus-nos-Acuda; é um Salve-se Quem Puder, é um Toma-Lá-Dá-Cá. Portanto, eleição não vale a pena; só desagrega. Garantias de Direitos Individuais? Pra que? Basta que seja garantida a vontade do governo, em nome de todos. Judiciário e Legislativo, pra que, também? Pra termos juízes vendendo sentença e deputados comprando voto? Não, não. É muito mais prático um só dizer o que tem que ser feito, e pronto. Censura e repressão? Nada mais justo. Pra que deixar esses aloprados da imprensa falando o que bem entendem? E um bando de Anarquistas, sem graças a Deus, infernizando a todos com badernas nas ruas? Polícia neles! Então, os chamados democratas só querem é uma boquinha do poder. E o que dizer dos anarquistas, então? Fala sério, né. Nunca, na história desse país, se soube que o anarquismo resolveu alguma coisa...Aliás, na verdade, nunca houve, sequer, uma experiência anarquista...

Promotor:
Alto, lá, Dr. Não vou vestir a carapuça de ignorante histórico, não. Ainda mais, no caso específico. Já que foi em Santa Catarina que ocorreu, de fato, talvez, a primeira experiência anarquista da história mundial. E, se vossa excelência não sabe, foi às margens da Bahia da Babitonga, em São Francisco do Sul. Eram as colônias do Falanstério do Saí, e a Colônia do Palmital.

Personagem 2 (abandonando o formalismo do ambiente forense, e se projetando mais pra fora da cena; retomando a descontração inicial, enquanto que juiz, promotor e advogado ficam “congelados”)

Eita, que agora o bicho pegou, vai sobrar pro Bakunin e o Tolstoi.

Personagem 3 (no mesmo tom, e também se projetando pra fora da cena formal).
Bakun, quem?????

Personagem 5
Mikhail Bakunin e Leon Tolstoi, dois propagadores do movimento anarquista mundo afora, com base nas idéias de Willian Godwin, "o primeiro a formular as concepções políticas e econômicas do anarquismo”.

Personagem 6
Eita, que o “cinco” é uma Wikipédia ambulante, de braço dado com o Google.

Juiz: (juiz, promotor e advogados se “descongelando”)
Muito bem, senhor Promotor. O assunto foge dos autos, mas é pertinente, até porque, o próprio anarquismo é uma das vítimas do totalitarismo. E a abordagem até contribui para consagrar a pena máxima para o totalitarismo, que por certo virá do Conselho de Sentença.

Promotor:
É verdade, excelência. Até porque a máxima do Anarquismo é acreditar no socialismo sem ditadura, defendendo a liberdade e a abolição do Estado. Aliás, por falar em Ditadura, foi a dita cuja aqui no Brasil que massacrou também o embrião do movimento anarquista nacional.

Advogado
Mas, excelência, retomando aos autos: aqui não há crime algum a ser julgado. E, em não havendo, peço a absolvição da Best..., digo, do meu cliente.

Corte (Desce Luz em Julgamento; Sobe Luz em Sentença)

Quadro 3 – Sentença Final
Descrição Cênica do Quadro: Juiz,levantando-se de sua cadeira, vai até o professor, e o conduz ao centro do “plenário”.

Juiz:
Nesse Tribunal, uma vez mais o Conselho de Sentença fez o seu julgamento. Antes, porém, da leitura da sentença final, esse juízo quer ouvir a confirmação dos malefícios do Totalitarismo, e a sua evolução histórica, e a versão de Estado, segundo os Anarquistas. Trinta segundos, para a abordagem do professor .......................mentor desse processo.

Personagem 1 (voltando a descontração inicial, se sobressai do grupo, dando um passo à frente, e virando-se para a platéia, diz:)

Aff ! Agora é o “Se vira nos trinta”. A vingança maligna de Augusto Boal...

Professor: (trinta segundos - Resume historicamente os regimes totalitários e anarquistas)

Juiz: (Voltando à sua cadeira)
Neste Tribunal, onde imperam a lei e a justiça, o Conselho de Sentença fez seu julgamento, e por unanimidade de votos, sopesada as provas, houve por bem condenar o réu à pena máxima: a decapitação da fera...

Coro (todos, abaixam a cabeça, inclusive o juiz, e falam o texto em tom de ladainha)
Aí dos que fazem do poder absoluto, o seu Deus, o seu Senhor; e bebem sem piedade o sangue do povo sofredor. Conduzido a juízo, num julgamento preciso, perderá o paraíso, que por muito tempo foi templo explorador. O poder só tem sentido, quando o clamor do oprimido é prontamente atendido contra as garras da opressão. Queremos só a justiça, queremos só a verdade, que a lei jamais seja omissa, venha a nós a Liberdade...Amém !
A BESTA-FERA TOTALITÁRIA
Criação: João Paulo

Pastor (alguém que sai do coro, já com “figurino de pastor”)
... e vi levantar-se do mar uma Besta, que tinha sete cabeças e dez cornos, e sobre os seus cornos dez diademas e sobre estes, nomes de blasfêmia...!

Música:
(Música cantada por todos, com auxílio de aparelho de som, enquanto o grupo vai recompondo as carteiras em seus respectivos lugares, desfazendo o “Tribunal do Juri”).

Quando um muro separa, uma ponte une... Se a vingança encara, o remorso pune...Você vem e me agarra, alguém vem e me solta... Você vai na marra, e um dia volta.. E se a força é sua, ela um dia é nossa... Olha o muro, olha a ponte, olha o dia de ontem chegando, que medo você tem de nós....Você corta um verso, eu escrevo outro...Você me prende vivo, eu escapo morto...De repente olha eu de novo, perturbando a paz, exigindo o troco... O muro caiu, olha a ponte da liberdade guardiã, no braço do Cristo horizonte, abraço do dia de amanhã, olha aí....


Fim !

ÁGORA, É AQUI - DEMOCRACIA É ISSO AI !

Mini-Teatro

Autor: João Paulo

Quadro 1: Preparando a Cena
Descrição cênica do quadro: Personagens entram na sala de aula, e vão falando o texto enquanto arrumam as carteiras, em circulo, ficando algumas no meio. Sob essas cadeiras do meio, elementos que remetem à Grécia antiga (pode ser objetos com volume, desenhos, gravuras, etc). O ideal seria uma “réplica” de um Monumento grego; em papel, e em tamanho expressivo.

Diálogos do Quadro

Personagem 1 (acentuando bem a acentuação)
Ágora, então é aqui....

Personagem 2
Ágora? Você não quer dizer agora ?

Personagem 1
Não, não. É Ágora, mesmo. Não estou me referindo há tempo, mas a local. Ágora era uma praça de Atenas.. Ela foi o berço da Democracia no mundo...
Personagem 3
Bom, mas olhando por outro lado, pode ser de tempo também, né. Porque, pelo visto, a tal da Democracia já é bem velhinha...
Personagem 1
A bem da verdade, data de algumas centenas de anos antes de Cristo...
Personagem 4 (fazendo o sinal da cruz)
Valei-me, Senhor. Deus é mais !
Personagem 5
Mas, Ágora, agora é agora, gente. Então, antigüidades à parte; vamos eleger, democraticamente, o nosso “Pai da Matéria”, literalmente.
Personagem 6
É, aquele que vai “reinar absoluto” como personagem principal.
Personagem 2
Reinar, não é de bom tom, no caso específico. Ele vai liderar o processo, digamos assim.
Personagem 3
O meu voto vai pro Um. Por mim, a partir de agora, Ágora é com ele, mesmo.
Personagem 2
Uai, mas na democracia o voto não é secreto?
Personagem 1
É, não é bem assim, generalizadamente. Mas, no nosso caso é; então aqui também vai ser. Voto secreto...
Personagem 3
Será que por intermédio de um Pai-de-Santo forte não vai ter Senador baiano querendo fraudar o painel?
Personagem 4
Bora então, gente, à nossa eleição. Urna e cédulas, por favor.
(Faz-se a votação, com cada um colocando o seu voto na Urna).
Personagem 1
E atenção para o Escrutínio...

Personagem 2
Escru, o que?
Persoangem 1 (ordenando ao 4)
Bora, pra frente !
Personagem 4 (Contando os votos)
Um; um voto. Um; dois votos. Um; três votos. Um; quatro votos. Um; cinco votos. Um; seis votos.
Personagem 3
Caracas. Nunca na história desse país alguém se elegeu assim, com todos os votos...Unanimidade total !
Personagem 6 (rindo)
É, mas é bom a gente não esquecer Nelson Rodrigues. Segundo ele, toda unanimidade é burra.
Personagem 1
Bom, diante dessa avalanche de votos, não me resta alternativa, a não ser assumir o papel. Portanto, eu prometo (já que não tive tempo de prometer na campanha): eu serei o “Democracildo” da esquete.
Personagem 5
Democracildo... Hum, isso me lembra “cacildário”....
Personagem 6
Cacildes !
Personagem 4 (rindo)
Epa, aí já é o Mussum. E não o Senador...
(Corte: Desce Luz em Preparação – Sobe Luz em Quadro 2 – Democracia em Cena)


Quadro 2: DEMOCRACIA EM CENA
Descrição cênica do quadro: O Cenário passa a idéia de um Plenário, na mesa principal Democarcildo, com um figurino misto de Aristóteles e José Sarney. Os outros personagens ficam no “Plenário”; sentados.

Democracildo (Filosofando a La Aristóteles, mas com trejeitos e sotaque de José Sarney).)
Já dizia Aristóteles, ao classificar as formas de Governo: Democracia é a pior das formas boas. Porém, é a melhor entre as variedades más!
Personagem 4 (rindo, e virando-se para a “platéia”)
Abriram as portas do inferno; quer dizer, do Senado... Não demora muito e vai ter merchan de “Marimbodos de Fogo” !
Personagem 3
Ué, por que? O tema não é futebol e, até onde eu sei, o Milton Neves não tem nada a ver com o Maranhão.
Personagem 4
Muito menos com a Academia Brasileira de Letras...
Democracildo (metendo bronca)
Parou geral! Olha o “Decoro Parlamentar”, gente. Cada um, agora, representando o seu papel. Eu disse agora. E não Ágora, viu!
Personagem 2 (virando-se para o público)
Se nem me explicaram o que era o tal do Escru, não sei o que, magina se vou perguntar agora, ou ágora, sei lá, o que é Democracia? Então vou de Tiririca: quando eu aprender, eu digo pra todo mundo.
Personagem 5
Demo...

Personagem 4 (intervindo, e fazendo o sinal da Cruz)
Valei-me, Senhor. Deus é mais. Cruz credo !
Personagem 5
Calma, mulher. Demo, quer dizer Povo, e Kracia, quer dizer Governo. Logo, Democracia quer dizer Governo do Povo.
Personagem 3
Há, na atualidade, diversas formas de Democracia. Porém, prevalecem, com mais ênfase, a direta e a indireta.
Personagem 2
Na democracia direta, o povo pode decidir diretamente sobre assuntos políticos ou administrativos de sua Cidade, do seu Estado ou do seu País. Não existem intermediários, tipo assim deputados, senadores, vereadores...
Personagem 4
Ô maravilha...Benza a Deus !
Personagem 3
É, mas no Brasil, essa não dá, não. É muita gente pra votar. Lá na Grécia era moleza. Era só dez por cento da população que tinha direito a voto. E, pelo visto só tinha Atenas, né. Então, era só meter todo mundo dentro do “Silveirão” deles.
Personagem 4
Você quer dizer, Panteão?
Personagem 3
É por ai....

Personagem 6
Na democracia indireta, o povo também participa, porém através do voto, elegendo seus representantes (deputados, senadores, vereadores). Esta forma também é conhecida como democracia representativa.
Personagem 2 (indo ao encontro da platéia)
Ô psiti ! Quebrando o script. Então por que a gente viu um monte de gente pedindo Diretas, Já? Se era pra ser Diretas, porque fizemos as indiretas ?
Personagem 4
É, tai. A nossa “Diretas, Já” viraram indiretas... E, agora ou ágora, sei lá, estamos sendo roubados indiretamente...
Democracildo (baixando o centralismo democrático)
Gente, picadeiro é pra comédia. Não vou permitir palhaçada aqui. Até o Biribinha já não faz mais circo. Agora é só Teatro Alfredo Sigwal, em Joaçaba. E o nosso papel aqui é outro. Portanto, sem comédia e sem drama, e muito menos palhaçada !
Personagem 4
É, gente. Palhaçada só em Brasília.
Personagem 2
Só, é? Você já assistiu, por acaso, uma Sessão da Câmara de Vereadores?
Personagem 4
Aff. Valei-me,Senhor. É a treva !
(Corte – Desce Luz em Democracia em Cena – Sob Luz em Tele-Aula Terceiro Grau).

Quadro 3: TELE AULA TERCEIRO GRAU
Descrição cênica do quadro: Uma TV de Papelão, com recorte onde seria o vídeo, por onde os personagens atuam.

Personagem 1
Antes do nosso horário eleitoral gratuito; umas tele-aulinhas de terceiro grau sobre essa senhora Democracia...
Personagem 2
A Democracia, como a conhecemos, tornou-se fortalecida no período das revoluções burguesas do século 18; da Revolução Francesa; e a Independência dos Estados Unidos.
Personagem 3
No período Jacobino, o voto já era universal.
Personagem 4
No Brasil, a Democracia é recente, e conturbada. De 1889 até aqui, foram alguns períodos de altos e baixos. As rupturas foram em 1922, 1930, 1937, 1945 e 1964.
(Corte – Desce Luz em Teleaula – Sob Luz em Congresso Nacional – Trilha sonora do Hino Nacional)
Democracildo (Agora a la Ulisses Guimarães, erguendo um exemplar da Constituição 88, e discursando).
Não é a Constituição perfeita. Se fosse perfeita não seria reformável. Ela própria, com humildade e realismo, admite ser remendada e emendada. Não é a Constituição perfeita, mas é útil; é pioneira; desbravadora. Será a luz, ainda que de lamparina, na noite dos desgraçados. Mudar para vencer. Muda Brasil !

Todos

Viva. Viva a Democracia !
Democracildo (desencarnando o personagem Ulisses, e virando-se para o personagem 2)
Ah, finalmente pra esclarecer o seu Escrutínio: Embora muitas vezes utilizados como sinônimos, voto, escrutínio e sufrágio possuem significados diferentes. Sufrágio é o direito de votar e de ser votado; Voto é a forma de exercer o direito ao sufrágio; e Escrutínio é a forma como se pratica o voto.

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(Aplausos finais)